Em manifestação republicana na Rádio Piatã FM, senador sugeriu adoção de regras no modelo norte-americano e apontou que proximidade com investigados fragiliza credibilidade da Corte.
Em reflexão sobre o papel dos Três Poderes na democracia brasileira, o senador Jaques Wagner (PT-BA) expressou preocupação com a crescente exposição midiática e a polarização interna verificada nas sessões do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante sabatina na manhã desta segunda-feira (21), o líder político sustentou que o tribunal deve exercer com sobriedade sua missão de guardião da Constituição Federal, mantendo distância prudente das disputas políticas cotidianas.
“Acho muito ruim o que está acontecendo hoje no Supremo Tribunal Federal. O Supremo é o mantenedor da Constituição Brasileira e, na democracia, não há nada mais sagrado do que o respeito às leis. Infelizmente, o grau de partidarização e disputa interna que entrou no tribunal está totalmente errado. O colegiado não pode agir dividido em blocos”, avaliou o congressista.
Para Wagner, o excesso de holofotes e a transmissão integral dos julgamentos em tempo real pela televisão acabam estimulando a vaidade dos magistrados e prejudicando a maturidade dos debates jurídicos. “Na Suprema Corte dos Estados Unidos, que é uma democracia consolidada, não existe transmissão ao vivo. Você não sabe quem votou de que maneira durante os debates; a sociedade é informada do resultado da decisão colegiada. Aqui virou um palco. O juiz de corte superior tem que cultivar uma reserva muito maior”, defendeu.
O senador também defendeu regras de quarentena e códigos de conduta estritos para impedir a participação de ministros em eventos custeados por partes que possuem demandas sob julgamento. “Não acho salutar essa relação de ministros com escritórios de advocacia que bancam viagens ou voos em jatinhos privados para seminários no exterior. No mínimo, quebra a liturgia exigida para o cargo. Como um juiz vai julgar o processo de alguém que o transportou em voo particular? Tem que ter cautela e, quando ocorrer, declarar impedimento imediato”, concluiu Wagner.