Petista afirma que redes sociais reduziram espaço para debate de propostas e comparação de candidatos
O candidato ao Senado Rui Costa (PT) criticou a polarização política no Brasil e afirmou que o ambiente eleitoral tem se transformado em uma disputa semelhante à de torcidas organizadas. Em entrevista, o petista também relacionou o fenômeno ao consumo de conteúdo nas redes sociais e à redução do interesse por debates mais longos sobre propostas e currículos.
Rui afirmou que a dinâmica das plataformas digitais, com vídeos cada vez mais curtos, dificulta a apresentação e a análise de propostas políticas.
“Hoje é preocupante. Quando o jovem vê um vídeo de um minuto, já é longo para um jovem poder assistir. Hoje as redes digitais, tipo TikTok, Kwai, fazem vídeo de 20 segundos, 15 segundos, 30 segundos.”
Segundo ele, especialistas em redes sociais teriam alertado sobre a dificuldade de retenção de conteúdos mais extensos.
“Os especialistas de redes digitais disseram assim: não adianta você fazer vídeo de dois minutos, não, que ninguém assiste.”
Para Rui, esse comportamento contribui para reduzir a qualidade do debate eleitoral e reforçar a polarização entre grupos políticos.
“Você tem pessoas que não se dispõem a ouvir uma proposta em dois minutos. Você baixa a qualidade do debate e o debate ficou muito polarizado.”
O ex-governador comparou o cenário político à rivalidade entre torcidas esportivas, afirmando que os eleitores muitas vezes deixam de considerar argumentos apresentados pelo grupo adversário.
“Parece a torcida do Palmeiras com a torcida do Corinthians, a torcida do Bahia com a torcida do Vitória. Você pode apresentar o argumento que for, você não faz ninguém ouvir o argumento.”
Na avaliação de Rui, esse comportamento faz com que uma parcela menor do eleitorado esteja disposta a analisar propostas, trajetórias e resultados antes de decidir o voto.
“É uma faixa muito pequena do eleitorado hoje que está disposta a ouvir o que é a proposta de país, a comparar os currículos, comparar as propostas.”
O petista defendeu que o eleitor deveria considerar a trajetória dos candidatos e verificar se promessas feitas anteriormente foram cumpridas.
“Numa eleição que conta basicamente: ‘Deixa eu ver o currículo de quem está falando. Tem credibilidade? Essa pessoa, quando foi candidato, cumpriu o que prometeu? Não cumpriu? O que ela está falando que vai fazer faz sentido? É verdade? Não é verdade?’”
Rui afirmou que acompanhou o comportamento do eleitorado ao longo dos quatro anos em que esteve à frente de um ministério e disse que pesquisas realizadas naquele período apontavam resistência de parcelas dos eleitores em ouvir argumentos contrários às suas preferências políticas.
“Eu acompanhei isso detalhadamente ao longo dos quatro anos que eu fui ministro. A gente fazia pesquisa atrás de pesquisa. Não mexia um ponto percentual para cá, um percentual para lá.”
Segundo ele, parte do eleitorado já estaria definida independentemente dos argumentos apresentados durante a campanha.
“O grosso da torcida organizada não se levantava da cadeira nem para ouvir.”
Ao concluir, Rui afirmou que a polarização pode prejudicar a escolha eleitoral ao deslocar o foco da análise de propostas e trajetórias para a identificação com grupos políticos.
“Isso é ruim para o país porque você não vai escolher pela qualidade. Você vai escolher pela torcida.”