Filho de sobreviventes do Holocausto, senador petista explicou tradições do Ano Novo Judaico e do Dia do Perdão para defender a harmonia entre as religiões
O encontro do governador Jerônimo Rodrigues (PT) com lideranças evangélicas na capital baiana, nesta segunda-feira (14), foi marcado por um discurso de tolerância religiosa protagonizado pelo senador Jaques Wagner (PT). O parlamentar aproveitou o espaço para compartilhar sua história de vida e estabelecer laços de respeito entre o judaísmo e o cristianismo.
Wagner revelou ao público detalhes sobre a história de sua família. “Eu não sei se todos aqui sabem, alguns sabem. Eu sou judeu, eu fui criado numa família de judeus, ou sou judeu. A primeira vez que eu li a Torá, que é o Velho Testamento na tradição judaica, foi quando eu completei 13 anos de idade”, explicou. Ele também resgatou a memória de seus pais, imigrantes poloneses que “foram perseguidos na época da barbárie nazista”.
Em um tom didático, o senador explicou que a comunidade judaica está celebrando o seu Ano Novo (Rosh Hashaná) e que o próximo domingo marcará o Yom Kippur, o Dia do Perdão, data que exige jejum e reflexão. “O que a gente faz nesse Dia do Perdão é pensar na nossa caminhada do ano anterior, pedir perdão pelos equívocos, erros que foram cometidos”, detalhou aos fiéis.
Fazendo uma ponte entre as crenças, o petista enfatizou que a união de sua própria família é a maior prova de que as diferenças teológicas não devem separar as pessoas. “Deus não discrimina. O Cristo nunca discriminou. E eu sou casado com Fátima, profundamente cristã, e portanto não há nenhuma contradição. Eu judeu e ela cristã, porque quem tem fé em Deus de verdade não tem preconceito”, concluiu.