O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta terça-feira (8), no Palácio da Alvorada, o advogado-geral da União, Jorge Messias, em meio à repercussão da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento temporário do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Após a reunião, a Advocacia-Geral da União informou que vai recorrer da decisão. O governo argumenta que o afastamento do chefe da PF é uma atribuição exclusiva do presidente da República e que Mendonça teria ultrapassado os limites de sua competência ao tomar a medida de forma individual.
O ministro determinou que Andrei Rodrigues permaneça afastado por 90 dias. Segundo Mendonça, o diretor da PF teria sido alvo de um suposto “monitoramento sistemático e ilegal” durante mais de um mês.
Enquanto durar o afastamento, o comando da corporação ficará com o delegado William Marcel Murad, atual diretor-executivo da Polícia Federal.
Decisão gera reação no governo
A determinação de Mendonça já recebeu apoio da maioria da Segunda Turma do STF. Os ministros Nunes Marques e Luiz Fux acompanharam o entendimento do relator. O julgamento foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes. Dias Toffoli ainda não votou.
A decisão provocou novas críticas do governo ao Supremo, especialmente diante do avanço das investigações envolvendo o Banco Master.
O ministro José Guimarães (PT), responsável pela articulação política do governo, classificou o afastamento como “descabido” e afirmou que a medida pode ter motivação eleitoral.
“Apurar eventuais indícios de delitos está correto. Mas essa medida me cheira como eleitoral”, declarou Guimarães, defendendo que o STF avalie o caso.