No Dia Internacional da Igualdade Feminina, empreendedora e gestora destaca desafios enfrentados por mulheres no empreendedorismo, no mercado de trabalho e após a maternidade
Mais de 700 mil mulheres estão à frente de negócios na Bahia, segundo a quarta edição da pesquisa “Desafios e Oportunidades do Empreendedorismo Feminino na Bahia”, do Sebrae Bahia. O levantamento mostra que 65% dessas empreendedoras são mães, 41% são chefes de domicílio e 39% afirmam não ter apoio para cuidar da casa ou dos filhos. A pesquisa também aponta que 50% já sofreram algum tipo de preconceito por serem mulheres e empreendedoras.
Os números mostram que empreender não é o único desafio. Para muitas mulheres, a atividade profissional precisa ser conciliada com a maternidade e as responsabilidades domésticas, muitas vezes sem uma rede de apoio.
É nesse contexto que a gestora e empreendedora Luciana Buck defende a autonomia financeira como parte da discussão sobre a liberdade de escolha das mulheres.
“Ter uma renda própria não resolve sozinha a violência doméstica, mas pode dar à mulher mais condições para tomar decisões e, quando necessário, buscar uma saída de uma situação de violência”, afirma Luciana.
Maternidade e mercado de trabalho
A relação entre maternidade e permanência no mercado de trabalho também chama atenção. Dados do eSocial analisados pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que, entre 2020 e 2025, foram registradas 383.737 dispensas sem justa causa de mulheres em até dois anos após o término da licença-maternidade. O levantamento foi divulgado com base nos registros do eSocial.
O número, no entanto, não permite afirmar que todas essas dispensas tenham ocorrido por discriminação relacionada à maternidade. A causa de cada desligamento precisa ser analisada individualmente.
“Ter um filho não pode significar perder espaço profissional. Precisamos discutir condições para que as mulheres possam continuar trabalhando e empreendendo sem que a maternidade seja tratada como um problema”, diz Luciana.
A falta de apoio para conciliar trabalho e cuidados também aparece na pesquisa do Sebrae Bahia. Segundo o levantamento, 39% das empreendedoras entrevistadas afirmam não ter apoio para cuidar da casa ou dos filhos.
Para Luciana, medidas como ampliação do acesso a creches, políticas públicas voltadas à primeira infância, horários compatíveis com diferentes jornadas de trabalho e iniciativas de capacitação e educação financeira podem ajudar a diminuir parte dessas dificuldades.
A discussão ocorre durante o Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Em 2026, a mobilização também marca os 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006.
Nesta quarta-feira (26), Dia Internacional da Igualdade Feminina, a defesa da autonomia econômica ganha espaço em um debate que envolve não apenas empreendedorismo, mas também trabalho, maternidade e proteção contra a violência.
“Não existe uma medida única. É preciso criar condições para que a mulher tenha renda, possa trabalhar e empreender e tenha liberdade para decidir sobre a própria vida”, afirma Luciana.
Luciana Buck é administradora, mestre em Estratégia Empresarial, empreendedora, palestrante e professora universitária. Na Prefeitura de Salvador, atuou como diretora de Desenvolvimento Econômico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda.
Atualmente, é candidata a deputada federal pela Bahia pelo NOVO.