Um racha silencioso atinge a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Prefeitos ligados ao petista decidiram manter o apoio a Jerônimo e a Lula, mas cortar caminho na disputa ao Senado: em vez de Jaques Wagner (PT), a aposta vai para Angelo Coronel (Republicanos).
Nandinho da Serraria, prefeito de Esplanada e filiado ao PT, confirmou apoio a Coronel nas redes sociais, ao lado de Jerônimo e Lula. Em Cardeal da Silva, o prefeito Branco Sales, do PP, legenda federada ao União Brasil de ACM Neto, fez o mesmo movimento. Dr. Ricardo, em Tanque Novo, também do PP, repete a fórmula. Cipó, com Marquinhos (PSD), e Ribeira do Amparo, com Tetti Brito (MDB), completam a lista.
O padrão revela um dado que a chapa governista prefere não repetir em campanha, de que o eleitor baiano não é obrigado a votar em chapa. A Bahia elege dois senadores neste ano, e o mecanismo permite ao eleitor compor o próprio combo, Jerônimo para o governo, Lula para a Presidência, e Coronel para uma das duas vagas do Senado.
Duas questões explicam o movimento, a primeira é gratidão prática, já que Coronel construiu mandato em cima de resultado municipal, com emenda que chega, PEC que reduz encargo previdenciário de prefeitura pequena, crédito rural para produtor do semiárido.E o Prefeito de cidade pequena mede aliado por obra entregue, não por sigla, e é neste critério que Coronel converte capital político mesmo fora do próprio campo.
A segunda questão lógica, é aversão a risco, com a Polícia Federal mirando Wagner na nona fase da operação Compliance Zero, com suspeita de que o senador recebeu apartamento de ex-sócio do Banco Master em troca de atuação favorável ao banco no Congresso. Buscas na casa do senador em Salvador e no hotel onde ele se hospeda em Brasília resultaram na apreensão de moeda estrangeira e relógios de luxo. Prefeito nenhum quer o nome ligado a operação policial em ano eleitoral, muito menos quando o mandato depende da confiança de quem vota de dois em dois anos, na própria cidade.
A soma dos dois fatores empurra o prefeito para uma escolha pragmática, vai ficar com o governo do estado, ficar com a Presidência, e trocar o nome mais exposto do Senado por quem já provou entrega no território. As inúmeras adessões somadas, desenham um recado incômodo para o grupo de Wagner: a lealdade que o PT baiano dá por certa no Senado já não é automática.