Durante entrevista concedida ao Blog do Valente, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), teceu duras críticas à postura do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente quanto à sua condução durante a crise sanitária da Covid-19. O governador questionou o uso recorrente, por parte do ex-mandatário, da expressão “tanto faz” ao ser confrontado com questionamentos sobre sua gestão e os números de óbitos no país.
“Ele empregava o ‘tanto faz’. Não existe ‘tanto faz’ na política”, afirmou Rodrigues, sublinhando que, à época, a postura do então presidente em relação à marca de 700 mil mortos pela doença foi de desdém. O governador recordou episódios em que Bolsonaro ironizou pacientes que sofriam com falta de ar. “O Bolsonaro foi aquele que concentrou na cadeira e, quando um dos repórteres perguntou sobre a morte de 700 mil pessoas no Brasil, ele disse: ‘Eu não sou coveiro'”, lembrou o governador, classificando a atitude como uma falta de empatia inadmissível para um chefe do Executivo.
Em contraste à imagem de Bolsonaro, Jerônimo Rodrigues exaltou a figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem descreveu como um “presidente do povo”. O governador utilizou as bandeiras exibidas em atos de campanha para ilustrar a disparidade entre os dois campos políticos.
“Quem assistiu aos dois lançamentos das candidaturas a presidente no domingo viu Lula de volta ao estádio em São Bernardo do Campo. Ele foi para lá dizer que não mudou a história dele”, disse. Na avaliação de Rodrigues, o símbolo que acompanhou o ato de Lula era a “bandeira do Brasil”.
Em contrapartida, o governador criticou o ato de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, apontando que, na ocasião, o símbolo em destaque era a bandeira dos Estados Unidos. “A bandeira que corria naquele ato era a dos Estados Unidos”, pontuou Rodrigues, reforçando o discurso de que as visões de mundo dos dois polos em disputa são fundamentalmente diferentes.