O governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu, nesta terça-feira (18), o fortalecimento da rede pública de saúde e uma maior integração entre Estado e municípios para reduzir a pressão sobre os serviços de média e alta complexidade. A declaração ocorreu durante sabatina realizada pela Band Bahia em parceria com a Tribuna da Bahia.
Ao responder a questionamentos sobre a fila da regulação, Jerônimo destacou a ampliação da oferta de leitos e unidades hospitalares durante sua gestão. Segundo o governador, foram criadas cerca de 6 mil vagas de internação e leitos em três anos e meio, além da entrega de 15 hospitais no período.
“Chegamos a seis mil vagas de internamentos e de leitos. Seis mil vagas em três anos. Então, dá duas mil vagas criadas a cada ano.”
Jerônimo também afirmou que outras unidades estão em construção e citou investimentos em diferentes regiões do estado. Segundo ele, são mais de nove novos hospitais em construção, além de unidades desenvolvidas em parceria com os municípios.
Tratamento de câncer fora de Salvador
Outro ponto destacado pelo candidato foi a descentralização dos serviços de saúde de alta complexidade. Jerônimo citou o atendimento oncológico oferecido em Barreiras, no oeste baiano, como exemplo da estratégia para evitar que pacientes precisem se deslocar até Salvador ou para outros estados em busca de tratamento.
“Quem tem um problema de câncer não precisa vir a Salvador, nem ultrapassar a fronteira de ir para Goiás ou Brasília. Já faz lá.”
O governador afirmou que a mesma lógica deve ser ampliada para outras regiões, citando Teixeira de Freitas, Paulo Afonso e Jacobina como áreas que também devem receber serviços especializados.
Atenção básica e pressão sobre a regulação
Jerônimo também relacionou a pressão sobre a regulação estadual à falta de estrutura em alguns municípios. Ele defendeu que a ampliação da atenção básica e da rede municipal pode ajudar a evitar que casos de menor complexidade ocupem leitos destinados a atendimentos mais graves.
Ao citar Feira de Santana, o governador afirmou que a cidade, apesar de ser uma das maiores do interior baiano, não possui hospital municipal para atender determinados casos de menor gravidade.
“Eu quero ajudar os municípios a ter os hospitais municipais para poder desafogar.”
Segundo Jerônimo, o fortalecimento da rede municipal é necessário para evitar a sobrecarga dos serviços estaduais.
“Se não cuidar da oferta da atenção básica, as pessoas são obrigadas a ocupar leitos da atenção de alta complexidade.”
O candidato ressaltou ainda que a saúde pública deve ser tratada como uma responsabilidade compartilhada entre os diferentes níveis de governo.
“O sistema de saúde não é um tema de esquerda ou da direita. O sistema de saúde não é um tema de oposição à situação. É um Sistema Único de Saúde que precisa ser ajustado para poder melhorar a atenção do povo.”
Envelhecimento da população aumenta demanda
Jerônimo também atribuiu parte do aumento da procura pelos serviços de saúde ao envelhecimento da população baiana. Segundo ele, com a maior expectativa de vida, cresce também a demanda por consultas, exames e tratamentos.
“A população baiana envelheceu, graças a Deus, vive mais, procura mais médicos.”
O governador destacou ainda que mais de 80% da população baiana utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS) e defendeu que a estrutura esteja preparada para atender à demanda.
“Essa rede precisa estar pronta, preparada, mas a rede não é só estadual, é também municipal.”
Experiência pessoal
Ao falar sobre saúde pública, Jerônimo também relatou uma experiência pessoal durante a adolescência e juventude, quando, segundo ele, não teve acesso a um atendimento de qualidade.
“Eu não tive acesso a uma saúde de qualidade na minha adolescência, nem na minha juventude.”
O governador citou ainda o Hospital Prado Valadares, em Jequié, como símbolo de uma realidade que, segundo ele, provocava temor entre moradores que precisavam recorrer à unidade.