Em meio às pressões da oposição pelo avanço da criminalidade no estado, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu nesta terça-feira (18) que a segurança pública deixe de ser tratada como uma disputa partidária e passe a ser enfrentada por meio de um “mutirão nacional”, com forte articulação internacional e cooperação entre governos.
A declaração foi dada durante sabatina ao portal e rádio A Tarde. Ao abordar um dos temas mais sensíveis da sua gestão e ponto central de desgaste político no estado, o petista negou que esteja se esquivando da pauta e rebateu as críticas formuladas por adversários políticos.
“A segurança pública tem que ser motivo de mutirão no Brasil. É um tema internacional, não vou negar isso. E a oposição tem que entender: hoje a questão da segurança pública precisa de relações internacionais para enfrentar o tema”, afirmou Jerônimo.
O governador fez questão de rebatizar os questionamentos de opositores que o acusam de omitir-se do debate sobre o avanço das facções criminosas na Bahia. “Não estou dizendo que estou fugindo do debate, como meu opositor disse que eu fugi. Não. Eu estou contextualizando”, declarou.
Citação a Ronaldo Caiado e dimensão internacional
Para fundamentar sua tese de que a violência transbordou as divisões estaduais e exige cooperação multilateral, Jerônimo citou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), potencial postulante à Presidência da República pela oposição.
“O próprio candidato a governo do Brasil, o governador de Goiás, diz que vai criar uma polícia da América. Então ele entende que a segurança tá aqui dentro, no Brasil, mas precisa de relações internacionais para enfrentar o tema”, pontuou o petista, usando o exemplo do adversário para reforçar o caráter transnacional do crime organizado.
Comparativo histórico e investimentos no efetivo
Ao defender as ações adotadas pelo Palácio Ondina, Jerônimo propôs um comparativo entre o atual ciclo governamental — iniciado com o PT em 2007 — e os 20 anos anteriores, dominados pelo antigo carlismo.
“Pode comparar os 20 anos de governo antes da gente e depois da gente. Quantas delegacias foram feitas? Quantos pelotões foram criados? Eu já entreguei 11 mil profissionais da segurança, entre policiais, escrivães e delegados em três anos e meio”, argumentou.
O governador salientou ainda que há novos concursos públicos em andamento para reforçar os quadros das Polícias Militar e Civil, além de citar a entrega de 6.000 novas viaturas, modernização de armamentos, equipamentos de proteção e reajustes nos soldos da categoria.
“Temos feito muito, muito. Melhoria das condições de salários dos trabalhadores, equipamentos de proteção, armas, viaturas. Temos que fazer mais? É claro que temos que fazer mais”, concluiu o governador.