Iniciativa que eliminou o lixão do município conquistou o primeiro lugar estadual no Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora e serve de modelo para a Bahia.
O município de Itajuípe, localizado no Sul da Bahia, consolidou-se como referência em sustentabilidade, inclusão social e gestão de resíduos sólidos. Na última segunda-feira (13), a vice-prefeita Clara Adry visitou a sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador, para apresentar os resultados técnicos e práticos de uma iniciativa pioneira que transformou o antigo lixão da cidade em um ecossistema de geração de emprego e preservação ambiental.
O projeto foi o grande vencedor da etapa baiana do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora e figurou no prestigiado ranking dos 27 melhores projetos de Meio Ambiente do Brasil. Segundo Clara Adry, a gestão municipal conseguiu converter um passivo ambiental histórico em uma política pública integrada: “Conseguimos conciliar a desativação definitiva do lixão com a inclusão produtiva, dignidade trabalhista, educação nas escolas e suporte direto à proteção dos animais.”
Origem na pandemia e suporte à causa animal
A guinada socioambiental em Itajuípe teve início a partir de uma parceria estratégica entre a prefeitura e a Associação Protetores dos Animais de Itajuípe (PAITA). Durante a crise sanitária da Covid-19, a ONG encontrou na reciclagem de materiais descartados uma alternativa viável para financiar o resgate e tratamento de animais abandonados. Ao perceber o potencial da iniciativa, a gestão municipal estruturou o programa, transformando-o em um sistema permanente de coleta seletiva que hoje atende 100% da área urbana.
O impacto social foi imediato. O encerramento das atividades do lixão a céu aberto foi acompanhado pela inserção formal das cinco famílias de catadores que retiravam o sustento do local. Hoje, esses trabalhadores atuam de maneira regularizada e com direitos trabalhistas garantidos. O projeto também atua na frente de ressocialização de egressos do sistema penal, incorporando cidadãos que cumprem penas alternativas nas atividades de triagem e logística.
Educação de base e expansão industrial
A operação do serviço é amparada por campanhas contínuas de conscientização nas escolas municipais e por uma comunicação comunitária peculiar: o “jingle da reciclagem”, que avisa os moradores sobre a passagem programada do caminhão coletor.
Financeiramente, a comercialização do material reciclável garante a manutenção das atividades clínicas da PAITA, viabilizando consultas veterinárias, castrações gratuitas de cães e gatos e o controle de zoonoses na cidade.
Mesmo com o reconhecimento nacional, a Prefeitura de Itajuípe trabalha para expandir a capacidade operacional do complexo de reciclagem. O município busca novos investimentos para a aquisição de maquinário pesado — como prensas hidráulicas de grande porte e esteiras automáticas de triagem —, além de projetar a implantação de uma fábrica própria de vassouras ecológicas produzidas a partir de garrafas PET, o que agregará valor à cadeia produtiva local e abrirá novas frentes de trabalho.