SALVADOR — O ex-ministro da Cidadania e presidente do Partido Liberal (PL) na Bahia, João Roma, teceu duras críticas às duas décadas de gestão do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado. Em entrevista ao programa “Balanço Geral” da Rádio Sociedade, o dirigente apontou o governo estadual como o principal responsável pelo “atraso” e pelo travamento do desenvolvimento econômico baiano perante estados vizinhos.
Segundo Roma, o cenário político e administrativo da Bahia resume-se a um ciclo repetitivo que se acentua nos períodos eleitorais.
“São 20 anos que a população vê bonitas propagandas na televisão no período da eleição, 20 anos com muitas promessas. Infelizmente, a maioria dessas promessas o PT não consegue cumprir. A cada ano, a cada eleição que entra, fica parecendo que está repetindo um filme”, criticou o ex-ministro.
O presidente do PL baiano mencionou o que chamou de “requentamento de promessas”, citando exemplos como o anúncio das obras da Ponte Salvador-Itaparica — que, segundo ele, expôs o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um “vexame” em canteiros de obras — e o relançamento da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). Ele relatou ainda que em agendas do programa “Governo Participativo”, como no município de Seabra, cronogramas de promessas antigas chegaram a ser renovados projetando prazos até o ano de 2040.
Carga tributária e infraestrutura em colapso
Para o ex-ministro, as causas do distanciamento no desenvolvimento da Bahia em relação a outros estados vizinhos — sem necessidade de comparação direta com o Sul ou o Sudeste — centram-se em dois eixos fundamentais: a elevada carga tributária e o déficit de infraestrutura logística.
Roma argumentou que o estado detém alguns dos “maiores impostos do Brasil”. Segundo o político, o ex-governador Rui Costa (PT) encerrou seu mandato deixando um aumento linear de 1% nas alíquotas, e o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), deu sequência aos reajustes após as discussões nacionais da reforma tributária.
- Fuga de investimentos: De acordo com Roma, a disparidade fiscal desestimula a atração de novas empresas, que optam por locais com menor incidência de impostos.
- Malha rodoviária: A infraestrutura de transporte foi descrita como em estado de “colapso”. Como exemplo prático de gargalo cotidiano, o político destacou os constantes congestionamentos na rodovia BR-324, afetando o tráfego regular entre Salvador e Feira de Santana.
Entraves burocráticos no setor produtivo
A crítica de Roma estendeu-se também ao impacto da máquina pública sobre os setores do agronegócio e da produção rural. De acordo com ele, a burocracia excessiva de órgãos ambientais impede o avanço de iniciativas privadas básicas, gerando punições contraditórias aos produtores.
“O produtor rural quer perfurar um poço, passa anos e não tem sequer uma resposta burocrática do órgão ambiental. E se ele perfura na mão grande, vai lá justamente a fiscalização para punir aquele produtor”, afirmou.
O dirigente concluiu apontando que estados como Espírito Santo, Sergipe, Goiás e Minas Gerais continuam avançando, enquanto a Bahia, a despeito de suas potencialidades minerais, agrícolas e turísticas, permanece estagnada. “Parece que o governo está instalado boicotando e deixando as coisas corroerem o nosso estado. Isso prejudica, sobretudo, a população mais pobre”, finalizou.