ex-ministro da Cidadania e atual presidente do PL na Bahia, João Roma, criticou nesta segunda-feira (13) as disputas internas na direita e apontou uma “falta de pragmatismo” do campo conservador em comparação com as articulações da esquerda. Em entrevista à Rádio Sociedade, Roma comentou especificamente sobre os desentendimentos públicos envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Eu lamento profundamente, até porque eu conheço todos que estão nisso aí”, declarou Roma ao ser questionado por um ouvinte sobre o impacto dos conflitos internos para o desempenho eleitoral do grupo. O dirigente partidário ressaltou que a fragmentação e os embates públicos prejudicam a imagem do movimento, especialmente em um cenário em que o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta restrições judiciais e o que classificou como “sofrimento” político.
O Exemplo do Pragmatismo da Esquerda
Para o ex-ministro, a principal fraqueza da direita atual é a incapacidade de separar divergências pessoais de objetivos eleitorais estratégicos, algo que, segundo ele, a esquerda maneja com mais eficiência.
“Na esquerda, você sabe que tem gente que se odeia, que está numa disputa de poder tremenda, mas na hora do ‘vamos ver’ da política, está todo mundo lá com carinha de sorriso, abraçando o seu coleguinha e dizendo que está tudo bem para ganhar as eleições”, comparou Roma.
O presidente estadual do PL defendeu que o campo conservador precisa adotar uma “visão mais estratégica” diante dos próximos pleitos. “Acho que às vezes falta uma certa visão mais estratégica e pragmatismo da direita. A esquerda tem se aproveitado melhor disso aqui no Brasil, às vezes de forma dissimulada, focando no objetivo de ganhar eleição”.
Críticas ao Governo Federal
Aproveitando o espaço, Roma também mirou a atual gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, contrastando as ações sociais do atual governo com o período em que ele comandou o Ministério da Cidadania. Segundo o ex-ministro, as camadas mais vulneráveis da população estão sem perspectivas diante da situação da economia e dos serviços públicos.
Bolsa Família: Roma relembrou o período em que esteve no governo federal e ressaltou que o programa foi triplicado em sua gestão, alcançando mais de 20 milhões de famílias.
Corte de Benefícios: O ex-ministro acusou a atual administração de “cortar benefícios” focados em públicos específicos, citando as reduções em benefícios unipessoais e as restrições no Benefício de Prestação Continuada (BPC).
“O que nós teremos não é uma guerra de torcidas ou uma partida de futebol, é o futuro do Brasil e da Bahia que estará em jogo”, concluiu Roma, convocando os eleitores a perceberem a gravidade do cenário político e frisando a necessidade de uma mudança real no estado.