O ex-ministro da Cidadania e presidente do PL na Bahia, João Roma, criticou as alterações promovidas pelo governo federal nos programas de assistência social e defendeu o legado de sua passagem pela pasta durante a gestão de Jair Bolsonaro. Em entrevista à Rádio Sociedade na manhã desta segunda-feira (13), Roma afirmou ter triplicado o valor médio pago pelo Bolsa Família e acusou o PT de retirar mecanismos que incentivavam os beneficiários a buscar emprego com carteira assinada.
Roma destacou que, ao assumir o ministério, o ticket médio do Bolsa Família girava em torno de R$ 180. “Nós conseguimos, mesmo em um momento de muita dificuldade, onde a maioria dos ministérios inclusive tiveram cortes orçamentários, aumentar o orçamento do nosso ministério”, declarou. O ex-ministro ressaltou que a mudança garantiu um piso de pelo menos R$ 600 por família, com repasses que podiam chegar a R$ 1.200 ou R$ 1.800 a depender das condicionantes de cada núcleo familiar.
Crítica à Retirada do Auxílio Inclusão Produtiva
O principal ponto de fricção apontado pelo dirigente partidário envolve o encerramento de programas criados em sua gestão com o objetivo de emancipar os cidadãos da dependência estatal. Roma citou diretamente a extinção do Auxílio Inclusão Produtiva (mencionado como auxílio inclusão social), que, segundo ele, foi derrubado logo no início do atual mandato do PT, em 2023.
“A pessoa está no Bolsa Família e consegue uma oportunidade para assinar a carteira. Hoje ela é punida, porque termina perdendo o programa”, criticou Roma.
De acordo com o ex-ministro, o modelo anterior garantia estabilidade e incentivo financeiro para quem ingressava no mercado formal:
Garantia de permanência: O trabalhador que assinasse a carteira tinha o direito de continuar recebendo o benefício do Bolsa Família por mais dois anos.
Bônus financeiro: Além do salário e do benefício regular, o cidadão recebia um aporte extra de R$ 200 enquanto estivesse empregado.
Impacto no Mercado de Trabalho e no Agronegócio
Questionado sobre como essa dinâmica afeta setores produtivos, Roma endossou o argumento de que as regras atuais provocam escassez de mão de obra e “condenam o cidadão necessitado a ficar na dependência do Estado”.
O ex-ministro enfatizou que o rigor das legislações trabalhista e ambiental impede que grandes corporações e produtores rurais operem na informalidade. “Muitas vezes você que anda aí e vê o agro, as pessoas querem contratar pessoas para fazer uma colheita, mesmo trabalhos temporários, e as pessoas não conseguem contratar”, exemplificou, argumentando que o receio de perder o benefício social afasta o trabalhador de vagas sazonais e de carteira assinada, dividindo o país entre aqueles que buscam uma oportunidade de ascensão e as empresas que necessitam de força de trabalho.