O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta terça-feira (30) acreditar que os candidatos da direita chegarão unidos ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026 para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à rádio CBN, o mineiro também disse que o cenário eleitoral ainda sofrerá mudanças significativas durante o período oficial de campanha e sustentou que o eleitor brasileiro costuma definir seu voto nas últimas semanas antes da eleição.
Ao comentar as perspectivas para a disputa presidencial, Zema comparou o cenário brasileiro ao das últimas eleições no Chile, onde partidos de direita lançaram candidaturas distintas no primeiro turno e posteriormente concentraram apoio em um único nome na etapa final da disputa.
“Em relação a esse tema, nós temos uma situação hoje no Brasil que é semelhante à que aconteceu no Chile nas eleições presidenciais há poucos meses atrás. Diversos candidatos da direita concorrendo contra um da esquerda e, no segundo turno, todos unidos. Isso é o que é mais provável que aconteça aqui no Brasil”, afirmou.
O governador também avaliou que o processo eleitoral ainda não mobiliza a maior parte do eleitorado. Segundo ele, as preocupações econômicas do dia a dia afastam os brasileiros do debate político neste momento, o que, em sua avaliação, favorece mudanças no cenário quando a campanha ganhar intensidade.
“Segundo, o brasileiro só vai conectar em eleição, analisar quem são os candidatos na véspera da eleição. Sempre foi assim. Hoje o brasileiro está preocupado com a goteira na casa dele, com o pneu careca do carro que precisa ser trocado, com a conta de energia que está vencida e que ele precisa quitar. O brasileiro está vivendo muito mal e pouquíssimas pessoas hoje, talvez nem 10%, estão acompanhando política”, declarou.
Zema afirmou que essa percepção é baseada na experiência acumulada durante suas viagens pelo país e relembrou sua campanha ao governo de Minas Gerais em 2018, quando, segundo ele, o crescimento nas pesquisas ocorreu apenas na reta final da disputa.
“A minha campanha em 2018 ao governo de Minas foi exatamente nessa linha. A minha virada só aconteceu na última semana. Campanha, eu tenho dito, é igual cardápio de restaurante. Você abre e escolhe na hora que chega a hora que você vai comer e não com muita antecedência”, disse.
O pré-candidato também utilizou a entrevista para defender sua experiência no setor privado como um diferencial para a disputa presidencial. Segundo ele, a gestão em Minas Gerais demonstra que um modelo baseado na iniciativa privada pode ser replicado em nível nacional.
“Eu tenho propostas diferentes, já que venho do setor privado, eu sou um empreendedor como a maioria dos brasileiros, tive de ralar a minha vida toda, mais de 30 anos na estrada, rodei mais de 2 milhões de quilômetros para colocar lojas em 470 cidades, inclusive aí no sul da Bahia, que eu conheço muito bem. Então sempre fui pagador de impostos e não recebedor”, afirmou.
Ao concluir, Zema destacou indicadores econômicos de sua administração e disse que pretende levar esse modelo para um eventual governo federal.
“Em Minas Gerais um governador empreendedor deu certo. Nós criamos mais de 1 milhão de empregos formais em Minas Gerais, de acordo com o Ministério do Trabalho. A vida do mineiro melhorou. Minas Gerais, que sempre foi um estado de emigrantes mineiros que iam para outras regiões, na minha gestão se transformou num estado de imigrantes brasileiros que vão para Minas Gerais. Isso demonstra muito bem que Minas se transformou numa terra de oportunidades. E quando dá certo em Minas, dá para fazer no Brasil também, que é o que eu farei”, concluiu.
