O senador e pré-candidato à reeleição Angelo Coronel (Republicanos) voltou a criticar a forma como vem sendo discutida a proposta de mudança na jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1. Em entrevista à Rádio Eldorado FM, o parlamentar afirmou não ser contrário à ampliação do descanso dos trabalhadores, mas questionou a ausência de debate e a condução do governo.
“Em nenhum momento eu fui contra a jornada de trabalho para que o trabalhador brasileiro tivesse mais um dia de descanso, ou seja, para ele trabalhar cinco por dois. O que eu questionei é que a consolidação das leis trabalhistas, a CLT, ela está sendo modificada sem ter um debate com as classes envolvidas. Não pode o governo querer mudar uma jornada de trabalho simplesmente porque está no ano político, que ele quer aparecer, que ele quer mostrar que é bonzinho para o trabalhador”, afirmou.
Segundo Coronel, a proposta tem sido apresentada com viés eleitoral e transfere custos ao setor privado. “Então o governo pegou essa imagem do seis por um que está sendo contra todo o Brasil e tentou agora plantar na cabeça do povo brasileiro. Não, o povo tem que descansar mais um dia. Em vez de seis por um, vamos derrubar para cinco por dois. Só que o governo quer que o empresário banque. Eu sou contra isso. Eu quero que seja bancada pelo governo”, disse.
O senador defendeu que eventuais mudanças sejam acompanhadas de medidas compensatórias. “Porque o governo que quer aparecer para essas pessoas dizendo que é bonzinho porque reduzindo de 6 x 1 para 5 x 2. Como é que ele vai bancar isso? Desonerando a folha de pagamento. Chama o empresariado e diz você vai ter o desconto de imposto na sua folha de pagamento, já que aí você vai ter que contratar mais pessoas para suprir essa necessidade. Mas por que o empresário tem que pagar isso? Já que é o governo que quer fazer esse benefício? Então vamos abrir para o debate”, concluiu.
A discussão sobre a jornada de trabalho ocorre em meio a propostas de alteração na legislação trabalhista e mobiliza diferentes setores econômicos e políticos.
