O senador Jaques Wagner (PT) criticou o apoio de partidos de perfil conservador à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial e afirmou que o ex-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) estaria tomando uma decisão política motivada pela “raiva” após a derrota para Jerônimo Rodrigues (PT).
Para Wagner, embora as alianças partidárias tenham importância, os eleitores não necessariamente seguem a orientação de seus antigos candidatos no segundo turno. Na avaliação do senador, a nova etapa da disputa representa uma eleição diferente.
“Quem perdeu o primeiro turno não é que comande os votos de quem votou nele no segundo turno. Eu acho que o segundo turno é uma nova disputa”, afirmou.
Wagner defende alinhamento entre Bahia e governo federal
O senador também argumentou que, após a reeleição de Jerônimo ao Governo da Bahia, o estado deveria buscar um governo federal alinhado com a administração estadual.
“Uma vez que a Bahia decidiu por Jerônimo, o bom senso mostra que nós deveríamos buscar a harmonia do governo federal com o estadual”, disse.
Wagner citou ainda a relação entre a Bahia e o governo federal durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, o estado teria recebido pouco apoio da União durante o governo de Rui Costa por uma postura que classificou como “conservadora e antirrepublicana”.
“A Bahia já viveu com o governo de Rui Costa e o governo federal na mão de Jair Bolsonaro, e praticamente a gente não recebeu nenhum apoio do governo federal”, declarou.
Senador critica postura de ACM Neto
Ao comentar especificamente a posição de ACM Neto, Wagner afirmou que o ex-candidato deveria reconhecer o resultado das urnas e apoiar, segundo ele, o que seria melhor para a Bahia.
“Se ele tivesse, na minha opinião, racionalidade política, ele deveria dizer: ‘não, eu perdi a eleição, reconheço o resultado das urnas e agora vou apoiar o que é melhor para a Bahia’”, afirmou.
Na avaliação do senador, um eventual governo federal comandado por Lula seria mais benéfico para a Bahia caso Jerônimo permaneça à frente do estado.
“Se a Bahia vai ser governada por Jerônimo, é melhor que ele tenha um aliado no governo federal”, disse.
Wagner ainda afirmou que ACM Neto estaria reagindo à derrota eleitoral de forma emocional e avaliou que o posicionamento poderia representar um novo erro político.
“Ele tá trabalhando com o fígado, com a raiva, e ele não esperava perder pela segunda vez para Jerônimo, e, na minha opinião, tá jogando errado de novo”, declarou.