Um relatório da Polícia Federal, que teve o sigilo suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF), detalha a relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Segundo os investigadores, a proximidade entre os dois envolvia uma série de benefícios privados e contatos frequentes.
O documento cita, entre as vantagens que teriam sido oferecidas ao senador, ao menos quatro voos em aeronaves particulares e ingressos para um show da cantora Taylor Swift. A PF também aponta uma negociação envolvendo um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões, em Salvador, que teria despertado suspeitas de possível tentativa de ocultação patrimonial. Os autos, contudo, não confirmam que a transação tenha sido efetivamente concluída.
A dimensão da relação aparece também no levantamento das comunicações. De acordo com a PF, Wagner e Augusto Ferreira Lima realizaram 74 ligações telefônicas entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando mais de cinco horas e meia de conversas.
Além dos telefonemas, os investigadores identificaram troca de mensagens e contatos relacionados a pautas de interesse do Banco Master em tramitação no Congresso Nacional.
As informações integram a investigação que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. As conclusões apresentadas no relatório ainda estão no âmbito das investigações e não representam, por si só, uma condenação.
Em nota, a assessoria do senador e candidato à reeleição afirmou que foi apresentado um requerimento ao gabinete do ministro André Mendonça, no dia 30 de junho, “contestando, com fatos e provas, as hipóteses produzidas em inquérito da Polícia Federal”.
Segundo a defesa, “causa estranheza que o levantamento do sigilo contemple, até o momento, apenas a interpretação da polícia, permanecendo a da defesa desconhecida pela sociedade”.
A assessoria reiterou, por fim, que o petista não possui nem nunca teve qualquer vínculo com o Master, tampouco atuou em favor de suas pautas no Congresso Nacional.