Salvador, 26/08/2026 14:57

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Rui cita Feira, Conquista e Salvador, e diz que Bahia ‘carrega sozinha’ a saúde

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O ex-governador da Bahia e candidato ao Senado pelo PT, Rui Costa, criticou nesta quarta-feira (26) a atuação de municípios baianos na área da saúde e defendeu os investimentos realizados pelo governo estadual durante sua gestão e a de Jerônimo Rodrigues (PT).

Em sabatina na Band Bahia, o petista afirmou que cidades como Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista não possuem estrutura suficiente para atender à própria população, o que, segundo ele, sobrecarrega a rede estadual.

Ao defender uma comparação entre a estrutura de saúde da Bahia e a de outros estados, Rui citou o Rio Grande do Sul. Segundo ele, enquanto a Bahia tem cerca de 15 milhões de habitantes e 56 hospitais estaduais, o estado gaúcho, com aproximadamente 11 milhões de moradores, possui três unidades hospitalares estaduais.

“A Bahia é o segundo estado do Brasil com o maior número de hospitais estaduais. Primeiro é São Paulo, com 94, e segundo é a Bahia, com 56”, afirmou.

Rui argumentou que o modelo de saúde adotado em outros estados distribui mais responsabilidades entre municípios e unidades filantrópicas. Na avaliação dele, essa divisão não ocorre de forma adequada na Bahia.

Rui critica Salvador, Feira e Conquista

O candidato direcionou parte das críticas aos maiores municípios baianos. Rui afirmou que Vitória da Conquista, terceira maior cidade do estado, com cerca de 400 mil habitantes, não possui uma unidade municipal de pronto atendimento capaz de absorver casos de baixa complexidade.

“Uma criança que tiver uma virose vai parar onde? No Hospital Regional de Conquista”, questionou.

Segundo Rui, a situação faz com que o Hospital Regional seja utilizado para atendimentos que, em sua avaliação, deveriam ser absorvidos pela rede municipal.

Ele também citou Feira de Santana, que possui cerca de 700 mil habitantes, e afirmou que a cidade não dispõe de uma estrutura hospitalar municipal compatível com a demanda da população.

“Qualquer coisa que acontece em Feira de Santana é atendida no hospital do Estado. É um escândalo isso”, declarou.

As críticas também foram direcionadas a Salvador. Rui afirmou que a capital baiana, apesar de ter uma população estimada em cerca de 3 milhões de habitantes, possui uma estrutura hospitalar municipal insuficiente.

“Você sabia que o hospital de Salvador é menor do que o hospital de Itabuna? Salvador tem 3 milhões de habitantes. O hospital do município é menor do que o hospital de Itabuna, que tem 200 mil habitantes”, afirmou.

Rui também criticou o fato de, segundo ele, as unidades hospitalares municipais da capital não absorverem atendimentos de emergência.

“Talvez seja a única capital do Brasil em que o hospital municipal da capital não atende emergência”, disse.

Críticas à atenção básica e à regulação

Ao abordar as reclamações relacionadas à regulação de pacientes na Bahia, Rui afirmou que parte da pressão sobre o sistema estadual seria consequência da deficiência da atenção básica e da rede de urgência dos municípios.

O petista citou especificamente Salvador e afirmou que cerca de 40% da população da cidade não teria acesso adequado a unidades de atenção básica.

“É fácil chamar qualquer popular aqui para falar: está faltando remédio nos postos de saúde, exame. Exame de ressonância magnética, tomografia, qualquer exame, a responsabilidade em Salvador é da prefeitura”, afirmou.

Rui também acusou a gestão municipal de politizar o acesso a determinados procedimentos, mencionando a distribuição de vagas para exames.

“É cota para vereador, cada um tem sua fichinha para ser atendido”, declarou.

‘O Estado da Bahia carrega todo o atendimento’, diz Rui

Na avaliação do ex-governador, a ausência ou insuficiência de serviços municipais acaba transferindo para o governo estadual demandas que deveriam ser distribuídas entre as diferentes esferas do SUS.

“Então é o Estado da Bahia que sozinho carrega todo o atendimento”, afirmou.

Rui aproveitou para defender a expansão da rede estadual de saúde iniciada durante sua gestão e mantida por Jerônimo Rodrigues. Segundo ele, a ampliação dos serviços reduziu a necessidade de pacientes do interior serem deslocados para Salvador em busca de tratamentos de alta complexidade.

“O povo sabe o que era antes e o que é hoje. Antes era aquela fila de ambulância, quatro da manhã, de Salvador até Feira”, afirmou.

Segundo Rui, procedimentos como cirurgias cardíacas, tratamentos oncológicos e cirurgias neurológicas passaram a ser realizados em diferentes regiões do estado.

“Nós levamos hospitais e serviços de alta complexidade para todas as regiões”, disse.

Rui cita novos hospitais e defende gestão de Jerônimo

O candidato ao Senado afirmou ainda que o governo estadual mantém uma política de expansão da rede hospitalar, com novas unidades inauguradas ou em construção em diferentes regiões da Bahia.

Entre os municípios citados por Rui estão Alagoinhas, Valença, Serrinha, Paulo Afonso e Jacobina. Ele também mencionou obras em outras cidades.

Para o petista, Jerônimo Rodrigues deu continuidade ao projeto de expansão iniciado durante sua gestão como governador.

“Jerônimo deu continuidade ao que eu iniciei, que é o maior investimento de saúde pública”, afirmou.

Rui reconheceu, porém, que a ampliação da rede pode contribuir para melhorar o sistema de regulação, especialmente à medida que novos hospitais entrem em funcionamento.

Dados de Conquista são usados para criticar sobrecarga

Durante a sabatina, Rui apresentou ainda um dado sobre os atendimentos realizados no hospital e na UPA de Vitória da Conquista. Segundo ele, 68% dos atendimentos seriam classificados como casos verdes ou azuis, categorias que indicam menor gravidade e baixa complexidade.

Para Rui, o percentual demonstra a utilização da estrutura estadual para demandas que poderiam ser resolvidas na atenção básica ou em unidades municipais de urgência.

“Essa pessoa era para ser atendida num hospital ou na UPA? Não. Essa pessoa era para ser atendida num posto de saúde, se tivesse posto de saúde funcionando”, afirmou.

Rui concluiu defendendo que a melhoria da regulação depende não apenas da expansão da rede estadual, mas também da participação efetiva dos municípios.

“A sobrecarga aqui do atendimento é todo no governo do Estado, porque os municípios não cumprem a sua parte”, declarou.

Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política nos portais bahia.ba e Política Ao Ponto.

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