O prefeito de Andaraí e presidente da União dos Municípios da Bahia, Wilson Cardoso, afirmou nesta segunda-feira (18), em Brasília, que mudanças na jornada de trabalho conhecida como escala 6×1 podem gerar aumento de custos para setores produtivos e pressionar o preço final dos produtos ao consumidor.
A declaração foi dada durante a Marcha dos Prefeitos, ao comentar os debates em torno de propostas que discutem alterações no modelo atual de jornadas de trabalho no país.
Antes de abordar diretamente o tema, Wilson destacou a necessidade de apoio da bancada federal às pautas defendidas pelos municípios.
“Olha, antes de eu te dar essa resposta, eu quero falar da importância dos nossos deputados, federais, deputadas, dos nossos senadores nesta marcha. Porque nós vamos depender de vocês, deputados e deputadas, senadores, vocês que são municipalistas.”
O presidente da UPB também citou o projeto apresentado pelo senador Jaques Wagner (PT) sobre redução de alíquotas previdenciárias para municípios e afirmou que o Congresso terá papel decisivo na tramitação das propostas municipalistas.
“Tem a PL-51 do senador Jaques Wagner, que é maravilhosa, que trata a redução da alíquota fazendo justiça fiscal.”
Ao comentar a discussão sobre a escala 6×1, Wilson afirmou que boa parte do país já opera, na prática, em modelo semelhante ao 5×2, especialmente no setor público e em segmentos industriais.
“Quanto à escala 6×1, olha, se você for avaliar, a escala 5×2 já funciona nesse país em mais de 60% ou 70%.”
“A prefeitura funciona administrativamente no sábado? Não. As indústrias funcionam no sábado? Não. Então já é 5×2. Os serviços públicos, as secretarias estaduais funcionam no sábado? Não. Então é 5×2.”
Segundo o dirigente municipalista, os principais impactos das mudanças poderiam atingir setores como comércio, agronegócio e pecuária, que mantêm atividades aos fins de semana.
“Então a única coisa que funciona no sábado é o comércio, que precisa abrir. É o agronegócio, a pecuária. Você não pode ficar sem o campo, sem o vaqueiro do campo.”
Wilson Cardoso avaliou que uma eventual redução da jornada sem compensações poderia elevar custos operacionais das empresas e provocar reajustes nos preços dos produtos.
“Eu acredito que se passar o 6×1, o produto vai encarecer lá na ponta. Porque no comércio eles vão ter que contratar, colocar hora extra no sábado.”
“Então esse custo que vai para o empresário, para o comércio, vai para o custo do produto. Então quem vai pagar? O consumidor final.”
O presidente da UPB também afirmou que trabalhadores comissionados do comércio poderiam ser afetados pelas mudanças na jornada.
“O vendedor vive de quê? De comissão. Ele quer estar na loja. Ele quer estar ali vendendo porque ele quer ter no final do mês uma receita maior no bolso dele, que é a comissão.”
Ao final, Wilson defendeu um modelo de negociação mais flexível entre empregadores e trabalhadores para definição das escalas de trabalho.
“Mas eu acho que o bom senso, mais uma vez, vai prevalecer. O governo sempre se preocupa em não deixar o produto ficar mais caro. Então tem que ver um caminho de uma livre negociação nessa área”, declarou.
