O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta sexta-feira (14) que considera um equívoco a proposta original do relatório do chamado PL Antifacção, que restringia o papel da Polícia Federal no enfrentamento ao crime organizado.
Para o petista, a alteração “não fazia sentido” e contrariava o modelo de investigação integrado que, segundo ele, tem sido determinante no combate a grandes organizações criminosas no país.
A declaração ocorreu durante a cerimônia de entrega da Comenda 2 de Julho ao presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, na Assembleia Legislativa da Bahia. Wagner alinhou sua posição à do senador Otto Alencar (PSD-BA), que também criticou a tentativa de limitar a atuação da PF.
“Eu tenho a mesma opinião de Otto. Pessoalmente, acho que o que prevê a PEC da Segurança é aquele tipo de operação que foi feita contra o PCC, que bateu lá na Faria Lima, o centro financeiro do Brasil, e desvendou que havia ali também o núcleo financeiro do PCC. Aquilo foi feito com articulação da Polícia Federal, Ministério Público, Polícia Militar e Polícia Civil de vários estados. É isso que a gente prega”, disse o senador.
Wagner destacou que o caráter interestadual das facções exige integração plena das forças de investigação. “O bandido que rouba em São Paulo vem roubar na Bahia, no Ceará, em qualquer outro estado. Nós precisamos unificar o banco de informações para ter eficiência no combate”, afirmou.
Ele classificou como incompreensível a tentativa de retirar a PF do escopo do projeto. “Sinceramente, como Otto, eu não entendi nada. Por que alguém que se diz conhecedor da área de segurança tira a Polícia Federal? A PF é polícia judiciária. Ela não é polícia presencial como a nossa PM, que tem mais contingente, mas a inteligência na investigação corre por aí. E ela já desbaratou muita coisa”, disse, citando operações realizadas na Bahia que atingiram integrantes do Comando Vermelho e um esquema de fraude em postos de combustíveis ligado ao crime organizado.
O senador avaliou ainda que a repercussão negativa do relatório provocou recuo na Câmara. “A poeira abaixou um pouco, eles tomaram muita pancada da imprensa e da sociedade civil, acho que agora deram uma recuada. Deve votar, espero, um texto razoável, que virá para o Senado para ser aprimorado ou votado”, completou.
