O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta quarta-feira (26) que a diversidade de perfis entre os líderes do grupo político que comanda o governo da Bahia há quase duas décadas é resultado de um processo deliberado de renovação interna. Em entrevista à rádio Alvorada Guanambi, Wagner disse que rejeitou pressões para voltar a disputar o governo e que a escolha de Jerônimo Rodrigues (PT) para suceder Rui Costa marcou uma nova fase da gestão petista no estado.
Segundo ele, a decisão de não concorrer novamente ao governo, apesar de pedidos dentro do próprio grupo, foi motivada pela necessidade de oxigenar a liderança estadual. Wagner lembrou que já havia governado por oito anos e que Rui Costa, mais jovem, também havia cumprido seu ciclo. O senador afirmou que buscou uma renovação ao indicar Jerônimo, então menos conhecido do grande público, mas com experiência no governo federal, na Educação e na Agricultura Familiar na gestão estadual.
Wagner destacou que cada liderança do grupo tem um modo próprio de governar, ainda que todas sigam uma mesma orientação política. Ele disse que sua gestão, a de Rui e a de Jerônimo têm estilos diferentes, mas compartilham o que descreveu como a linha condutora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltada a priorizar políticas para quem mais precisa. Para o senador, a oposição tenta desqualificar o histórico do grupo por não ter resultados positivos a apresentar.
Ao comentar a segurança pública, Wagner disse ter orgulho do trabalho construído nos últimos 19 anos, embora reconheça que a área ainda enfrenta desafios. Segundo ele, a Bahia registrou queda de 33% nos crimes violentos e tem investido na qualificação das polícias Civil, Militar e Técnica, além da ampliação de tecnologias e sistemas de inteligência.
O senador afirmou que o combate ao crime organizado exige ações articuladas e baseadas em inteligência. Ele citou operações recentes realizadas na Bahia que resultaram em prisões em outros estados, como Ceará e São Paulo, e no desmonte de esquemas ligados ao tráfico de drogas, incluindo fraudes em postos de combustíveis. Segundo Wagner, as forças de segurança baianas conseguiram retirar mais de R$ 30 bilhões das organizações criminosas.
Para ele, o enfrentamento ao tráfico precisa acompanhar a estrutura globalizada dessas organizações, que classificou como uma “multinacional do crime”. Wagner defendeu que uma das estratégias mais eficazes é atingir o braço financeiro desses grupos, responsáveis por violência e impactos sociais duradouros.
“Hoje você não vai fazer segurança sem inteligência”, afirmou o senador durante a entrevista.
