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Wagner critica ataque dos EUA à Venezuela e chama captura de Maduro de violação à soberania

Jaques Wagner
Foto: Divulgação
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O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta segunda-feira (5) que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro, no último sábado (3), representam um episódio “inimaginável” do ponto de vista do direito internacional e da defesa da democracia. Para o ex-governador da Bahia, a operação fere princípios básicos da autodeterminação dos povos e da soberania nacional.

“Um país livre e soberano, independente de quem goste ou não do governo venezuelano, de repente sofre uma operação militar de outro país, que sequestra o presidente. Isso é algo inimaginável para quem defende a democracia e a autodeterminação dos povos”, disse Wagner, em entrevista à rádio Continental.

O senador afirmou que o cenário internacional vive um momento de forte tensão, marcado por radicalização política e pelo uso da força como instrumento de resolução de conflitos. Segundo ele, esse ambiente contraria o espírito que orientou a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) após a Segunda Guerra Mundial. “A Carta das Nações Unidas foi feita exatamente para mediar conflitos, porque é normal que existam interesses divergentes entre nações”, afirmou.

Na avaliação de Wagner, a ação dos EUA não pode ser dissociada de interesses econômicos estratégicos, especialmente ligados ao petróleo. Ele destacou que a Venezuela concentra cerca de 20% das reservas mundiais da commodity, volume que, segundo o senador, supera inclusive o da Arábia Saudita. “Não tenho dúvida de que o foco é o controle do petróleo. Terra rara, petróleo e água são hoje motivos de cobiça internacional”, disse.

O senador também questionou a justificativa jurídica da captura de Maduro. Para ele, o caso não se compara a situações em que há condenações reconhecidas internacionalmente. “Eu desconheço qualquer condenação do atual presidente da Venezuela que justificasse esse tipo de ação. É algo totalmente fora do padrão e das normas internacionais”, afirmou.

Wagner disse esperar que o episódio seja discutido no âmbito das Nações Unidas e alertou para o risco de se naturalizar intervenções desse tipo. “Um país não pode se transformar em ameaça para qualquer outro apenas porque discorda da sua política. Cada um manda no seu nariz”, declarou.

Ao defender o diálogo como alternativa, o senador citou a política externa brasileira sob o governo do presidente Lula (PT), ressaltando a ampliação das relações internacionais e a superação de barreiras comerciais impostas pelos EUA. Segundo ele, a negociação foi fundamental para enfrentar o chamado “tarifaço” sobre produtos brasileiros. “Esse é o caminho: diálogo, convivência entre países que pensam diferente, e não atos deliberados e truculentos de um país contra outro”, concluiu.

andre
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música.

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