Em sabatina na Rádio Metropole, postulante ao Palácio de Ondina expressou preocupação com apurações da PF e alertou que aparelhamento institucional compromete a lisura do pleito.
As recentes turbulências políticas que envolvem as instituições em Brasília e o processo eleitoral foram alvos de advertência do candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil), durante sabatina concedida na manhã desta quarta-feira (9) à Rádio Metropole, em Salvador. Questionado sobre a temperatura institucional do país e o risco de desequilíbrio na disputa das urnas, o ex-prefeito da capital afirmou que o momento atual não pode ser tratado com naturalidade e cobrou vigilância da sociedade civil.
Neto destacou que episódios recentes alimentam apreensões na opinião pública e demandam atenção redobrada quanto à atuação de corporações de Estado. “Normal eu não acho que seja, não. A gente está vendo que muitos movimentos acontecem em Brasília que geram desconfiança no eleitor, despertam estranheza em relação a uma série de coisas: dossiês apócrifos, ação da Polícia Federal questionada se está ali ou não tentando atender a um comando do governo e do interesse político de permanência do governo. Então é muita confusão; a gente tem que ficar muito atento a tudo isso”, declarou.
O postulante pontuou que o eleitor precisa filtrar o debate público para evitar que a soberania do voto seja solapada por pressões de momento. “O eleitor, principalmente, tem que ficar atento e blindado, sabendo separar as coisas e compreender o que é verdade ou o que é desse momento do jogo eleitoral que acontece. Espero que haja um caminho de respeito à democracia e às instituições”, assinalou o ex-gestor, recordando que o país já atravessou crises severas, cassações e processos de impeachment sem romper com o rito eleitoral livre.
Ao traçar uma linha divisória inegociável entre o direito de campanha de governantes e o uso indevido das estruturas públicas, Neto disparou: “Daqui a 25 dias o eleitor brasileiro e o baiano vai ter a oportunidade de escolher o futuro, definir o caminho que quer seguir, e eu espero que sem qualquer tipo de interferência por parte do Judiciário, da Polícia Federal ou dos instrumentos de Estado. Porque uma coisa é o cara que está no governo, que é candidato à reeleição: ele tem lá o direito de fazer a campanha dele. Outra coisa é usar ferramentas de Estado para interferir no processo eleitoral, que é uma coisa que ninguém pode aceitar”.