Análise política de Geraldo Honorato, secretário de Comunicação de Camaçari, aponta que o peso dos prefeitos nos municípios do interior e a estratégia de redução de danos nas grandes cidades foram cruciais para o resultado das eleições estaduais.
Em entrevista ao Política Ao Vivo, o analista afirmou que a consolidação das urnas no estado da Bahia revelou um cenário decisivo para a disputa governamental, confirmando o favoritismo e ampliando a margem de votação do governador eleito Jerônimo Rodrigues.
O comentarista destacou o desfecho da eleição e o impacto direto do apoio dos prefeitos do interior na contagem final dos votos:
“Como uma expressão que ficou bastante usual pelos analistas políticos nessa eleição, que é a de ‘o jacaré ainda não abriu a boca’, né? Que o pessoal fazia menção ao fato de que a diferença ainda estava muito pequena, de que o Jerônimo já tinha sido detectado concretamente a tendência dele de chegar na frente, mas ainda isso muito curto, né? Ainda muito ali na margem de erro, né? Então o jacaré definitivamente abriu a boca. Foi uma vitória com mais de 1 milhão de votos de diferença, uma vitória que teve aí materializada em cerca de 340 municípios.”
Durante a transmissão, foi ressaltado que Jerônimo Rodrigues venceu em exatamente 349 dos 417 municípios baianos, enquanto ACM Neto registrou vitória em apenas 39 cidades.
O peso da força municipalista e a queda de dogmas
De acordo com a análise apresentada, o resultado das urnas pós-apuração comprovou a tese de que o alinhamento com as gestões municipais tem papel determinante na transferência de votos no estado.
“Eu sempre digo que as urnas, elas projetam, elas sepultam, né? Elas também fazem dogmas caírem, né? Então a gente tinha, de um lado, a tese da força municipalista, do poder de mobilização dos prefeitos como elemento definidor da eleição. O outro lado, o lado da oposição, o lado do ACM Neto, minimizando isso, mas contraditoriamente tentando criar movimento de vereadores, movimento de ex-prefeitos e tudo mais. E ontem, na prática, a gente viu o peso concreto desse apoio, dessa força dos prefeitos, né?”
Ao cruzar os dados da votação com os apoios políticos, o analista enfatizou que a equivalência entre as prefeituras aliadas e a votação final nos municípios fortaleceu a candidatura vitoriosa:
“Basicamente, fazendo o cruzamento aí, a gente tem uma relação de equivalência muito forte entre a base de prefeitos que apoiou o governador Jerônimo Rodrigues e a quantidade de municípios onde o Jerônimo Rodrigues teve a vitória. Com um fator a ser observado: que nas cidades médias, nas cidades em que o ACM Neto, na eleição de 4 anos atrás, teve um desempenho mais expressivo, essas diferenças, elas ou foram revertidas em alguns casos, a exemplo de Juazeiro, ou elas foram para uma margem mínima, né, muito curta, né?”
Redução de danos nas grandes cidades e desempenho em Salvador
Outro ponto sublinhado na análise foi a estratégia de contenção promovida nos grandes polos urbanos, onde a oposição costumava obter maior vantagem. Em Salvador, a margem de vitória da oposição encolheu significativamente em relação aos pleitos anteriores:
“O que a gente costuma dizer é assim: o trabalho de redução de danos, que é ali onde você mais ou menos sabe que a tendência é perder, o trabalho é feito para diminuir o tamanho dessa derrota. Salvador, por exemplo, a gente teve no segundo turno da eleição passada uma diferença expressiva de mais de 450 mil votos. E o prefeito de Salvador, que falou muito na eleição, que prometeu muito, prometeu meio milhão de votos de frente, e a eleição foi extremamente disputada, foi uma eleição apertada. O ACM Neto ganhou, mas sem supremacia, né?”