Salvador, 27/03/2026 09:58

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Tiago Correia acusa governo Jerônimo de descontrole fiscal e critica sequência de empréstimos bilionários

FOTO: PAOP
andre

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O líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), deputado Tiago Correia (PSDB), elevou o tom contra o governador Jerônimo Rodrigues (PT) ao criticar a série de pedidos de empréstimos enviados pelo Executivo estadual ao Legislativo. Segundo o parlamentar, os créditos já autorizados ou em tramitação somam cerca de R$ 27 bilhões e revelam falta de planejamento, risco de endividamento excessivo e uso ineficiente dos recursos públicos.

Em discurso na Alba, Correia afirmou que a política de financiamentos compromete o futuro fiscal do Estado e limita a capacidade de investimento das próximas gestões. Para ele, a recorrência dos pedidos indica ausência de projetos estruturados e de uma estratégia clara para aplicação dos recursos.

Como exemplo, o deputado citou a aquisição de trens para o sistema ferroviário baiano, em especial o VLT do Subúrbio, que substituiu o antigo trem e ainda não entrou em operação. Segundo Correia, o Estado gastou cerca de R$ 1 bilhão na compra de composições usadas do Mato Grosso, sem cronograma definido para funcionamento. “Compramos uma sucata, livramos o estado do Mato Grosso de um problema enorme, sem saber quando esses trens vão rodar”, afirmou.

De acordo com o tucano, a população do Subúrbio de Salvador está há mais de cinco anos sem o serviço ferroviário, enquanto recursos públicos foram consumidos em projetos que não avançaram, como o monotrilho e o próprio VLT. Ele criticou ainda a necessidade de novos estudos após a mudança do modelo adotado. “É um trem obsoleto, fabricado há mais de 15 anos, que ficou mais de uma década parado”, disse.

Para Correia, o episódio do VLT sintetiza o que classifica como “descontrole total” na aplicação do dinheiro público. “Estou falando de R$ 1 bilhão, mas temos mais de R$ 26 bilhões que podem ser gastos da mesma forma”, afirmou. O deputado questionou se o Estado não estaria desperdiçando a chance de investir esses recursos em áreas estratégicas com retorno direto para a população.

O líder da oposição também alertou para os efeitos do endividamento no médio e longo prazo. Segundo ele, a contratação sucessiva de empréstimos pode inviabilizar novas operações de crédito no futuro. “Os próximos governadores, seja o próprio Jerônimo ou outros, vão encontrar o Estado sem margem para contrair novos financiamentos”, declarou.

Correia afirmou ainda que parte dos recursos poderia ser direcionada a problemas históricos da Bahia, como a crise na segurança pública e a fila da regulação na saúde. “Esses R$ 27 bilhões não vão resolver esses problemas; ao contrário, podem agravá-los. A fila da regulação poderia ser enfrentada com parte desse dinheiro”, disse.

Ao justificar a postura mais dura da oposição, especialmente no fim do ano legislativo e em um contexto pré-eleitoral, o deputado afirmou que a estratégia busca chamar a atenção da sociedade. “Os indicadores de mais de 20 anos de governos do PT mostram que a aplicação dos recursos não tem produzido resultados. A contratação desses empréstimos é muito grave”, concluiu.

andre
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música.

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