O presidente estadual do PT na Bahia, Tássio Brito, criticou a decisão de prefeituras que cancelaram shows de artistas após a eleição por causa do posicionamento político nas urnas. A declaração foi dada em entrevista nesta quarta-feira (4) ao programa Boa tarde, Bahia, da Band.
O assunto entrou em pauta após a polêmica envolvendo duplas sertanejas de fama nacional que declararam voto em Flávio Bolsonaro (PL) e tiveram contratos revistos por gestões petistas no interior. Em Salvador, a prefeitura anunciou a apresentação da dupla Jorge e Matheus no Festival Virada 2026-2027.
Tássio disse que não tem a versão completa das prefeituras, mas deixou claro que, na sua avaliação pessoal, a posição política do artista não deve ser critério para contratação com dinheiro público.
“Eu, Tássio, eu acho que essa coisa de contratar artista ou não, de A ou de B, eu penso que é com base no que você quer apresentar. É uma dupla sertaneja que tem fama no Brasil inteiro, boa parte da população gosta. Eu sinceramente acho que não faz muito sentido”, afirmou.
“Eu não estou à vontade porque eu não sei se é isso mesmo, se é porque votaram e que a Prefeitura foi lá e disse que não vai contratar porque votaram. Mas eu acho que de forma alguma a opinião de alguém possa impactar na contratação pelo serviço público, isso não faz parte”, completou.
Questionado por um dos apresentadores sobre o receio de alguns prefeitos de gerar desconforto na opinião pública ao manter os shows, Tássio fez uma distinção.
“Uma coisa é você tomar uma decisão com base na opinião da população, talvez seja até uma obrigação do gestor. Outra coisa é você tomar uma decisão com base na opinião política de quem você está contratando, aí não dá. A pessoa pode votar em A, B e C e ela vai ser contratada porque a opinião pública quer que aquela pessoa esteja lá”, disse.
Para o presidente do PT, o gestor administra um recurso que é da população e, se a população gosta do artista, a contratação se justifica, independente do voto.
“Você está gerindo um recurso que é da opinião pública. E depende do motivo. Se é opinião pública ‘eu não quero que gaste meu dinheiro com esse cara’, aí é um outro argumento, que não é o argumento simplesmente do voto da pessoa”, concluiu.
No início da entrevista, Tássio ainda alfinetou o prefeito de Salvador, Bruno Reis, ao comentar a polêmica dos ônibus no segundo turno de 2026.
“É conversa pra boi dormir. Gente, eles tiraram o ônibus pro povo votar, pelo amor de Deus”, disparou.