Salvador, 10/10/2026 07:14

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“Sistema de transporte está quebrado”, diz Bruno Reis

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O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou que o sistema de transporte público por ônibus da capital baiana enfrenta uma crise financeira provocada pela redução do número de passageiros e pelo aumento dos custos de operação.

Em entrevista, o prefeito relacionou a queda na demanda a mudanças nos hábitos da população, à expansão de serviços de transporte por aplicativo e aos efeitos da pandemia. Segundo ele, o cenário também foi agravado pela alta dos preços dos insumos utilizados pelas empresas.

“De Salvador, que não é só de Salvador, é das cidades que têm transporte público sob rodas, e ele estava falido. Isso estourou lá em 2013, naqueles movimentos paredistas, e de lá pra cá só fez piorar com pandemia, com a chegada do Uber, do Moto Uber, do Moto Tax, porque tirou passageiros do sistema, as pessoas mudaram seus hábitos, hoje a pessoa da entrevista é de casa, hoje a pessoa trabalha de casa, estuda de casa, então menos pessoas pegam ônibus”, afirmou.

Bruno Reis disse que a redução da receita ocorreu simultaneamente ao aumento das despesas das empresas. Ele citou a elevação dos preços de ônibus, pneus e combustível como fatores que pressionam o equilíbrio financeiro do sistema.

“Ônibus aumentou de 500 pra 700 mil reais, o pneu de 500 pra quase mil reais, o combustível, só esse ano já aumentou na bomba, dois reais, tá 7,20 o óleo diesel, então menos receita e mais despesa, o sistema. Quebrou. Sistema de transporte está quebrado”, declarou.

Subsídio da prefeitura

O prefeito afirmou que a operação atual dos ônibus em Salvador depende de subsídio municipal. Segundo Bruno, a prefeitura repassa R$ 0,50 por passageiro transportado para ajudar a custear o sistema.

A tarifa cobrada diretamente do usuário é de R$ 5,90, mas, considerando o subsídio, o valor que remunera o serviço chega a R$ 6,40, de acordo com o prefeito.

“Se os ônibus rodam hoje em Salvador, para da prefeitura que paga 50 centavos de subsídio para todo mundo que pega o ônibus. Então hoje a tarifa na porta que é cara, que é pelo serviço que não é de boa qualidade, é R$ 5,90. Mas a tarifa real é R$ 6,40”, disse.

Renovação da frota

Bruno Reis também afirmou que a situação financeira das empresas limita a capacidade de renovação da frota. Segundo ele, a prefeitura precisou recorrer a financiamento para adquirir novos veículos e cumprir parte das necessidades de substituição.

O prefeito citou a compra de 344 ônibus convencionais e outros 180 veículos elétricos.

“Diante desse cenário, as empresas não têm condições de comprar novos ônibus. Estão lutando aí para cumprir a obrigação de um TAC, que representa 10% da renovação da frota. Essa renovação ia acabar quando, prefeito? 2031. O que a prefeitura fez? Adquiriu financiamento, comprou novos ônibus. Nós estamos comprando 344 ônibus convencionais e 180 ônibus nos técnicos amarelos”, afirmou.

Segundo Bruno, parte dos veículos adquiridos pela prefeitura já chegou à capital. As empresas, por sua vez, têm a obrigação de substituir anualmente uma parcela da frota.

“Desses 344 da prefeitura já chegou. As empresas tinham que trocar 170 esse ano, que é 10% da frota de 1.700 veículos, já chegaram 100. Então nós entregamos 326, que estão sendo substituídos”, declarou.

O prefeito afirmou que a renovação da frota ocorre em paralelo às medidas adotadas pelo município para manter a operação do sistema diante da queda no número de passageiros e do aumento dos custos.

andre
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música.

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