Na véspera do Dia do Jornalista, comemorado em todo o Brasil nesta terça-feira (7 de abril), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba), por meio da Tribuna Popular da Câmara Municipal de Salvador, realizou ato contra o que considera a precarização da profissão. A sessão, hoje (6), foi presidida pelo vereador Ricardo Almeida (DC) e finalizada pelo líder do governo, Kiki Bispo (União).
Conforme a presidente Fernanda Gama, primeira mulher a dirigir o Sinjorba, entre as principais pautas da categoria está a reivindicação pela aprovação do piso salarial nacional e da PEC do Diploma (PEC nº 206/2012), proposta que visa restabelecer a exigência do diploma de curso superior em Jornalismo para o exercício da profissão no Brasil.
A categoria luta ainda contra a chamada Lei do Multimídia, que define o profissional como alguém capaz de produzir, editar, criar e distribuir conteúdo, o que, na prática, é visto como incentivo ao acúmulo de funções (multifuncionalidade) sem a devida contraprestação salarial. Os sindicatos argumentam que as atividades descritas na nova legislação já são exercidas por jornalistas e radialistas regulamentados.
“Portanto, diante dessa realidade, podemos dizer de forma clara que amanhã (7) não teremos muito a comemorar, mas muito a lutar. Há um chamado urgente para que a categoria se una ao sindicato e solicite apoio dos vereadores para transformar o Dia do Jornalista em um dia de luta e união efetiva, a começar por pressionar a bancada baiana na Câmara Federal pelo retorno da tramitação e aprovação da PEC”, frisou Gama.
O apelo teve forte adesão da Casa. Conforme a vereadora Marta Rodrigues (PT), ao considerar que o jornalismo é uma atividade de altíssima relevância social, o sindicato pode contar com o apoio da Câmara Municipal. “Para que encaminhemos à Câmara Federal um pedido para que a PEC do Diploma volte a tramitar com celeridade, de forma a garantir a ética e a qualidade da informação”, avaliou.
Ao pedir uma salva de palmas aos jornalistas presentes, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) classificou a profissão como fundamental para a democracia. “Em especial em um tempo em que as fake news predominam. Sendo assim, em nome do PCdoB, nos associamos às causas apresentadas, a exemplo da PEC do Diploma”, afirmou.
Da mesma forma, o vereador Hamilton Assis (PSOL) pontuou que o seu mandato está à disposição do Sinjorba “para contribuir e reforçar essa luta”.
“Precisamos, acima de tudo, defender a democracia, e vocês são pilares nesse sentido”, reforçou o vereador Sílvio Humberto (PSB).
Saúde
Também na Tribuna Popular, a professora da Escola Comunitária Sol da Manhã, Rosemeire Pio Batista, reivindicou direitos dignos para a Unidade Básica de Saúde da Boa Vista de São Caetano.
Ela relatou que, entre outros problemas, faltam medicações essenciais para a comunidade e há grande disparidade nos atendimentos clínicos.
“Alguns médicos fazem 40 atendimentos por mês, enquanto outros fazem 130. Eu faço um apelo aos vereadores para que criem condições de termos respostas e soluções para esse impasse, cuja gestão já se comprometeu a resolver, mas tem nos invisibilizado”, apelou.
“Hoje a demanda da escola faz o papel de ouvidoria, vindo pedir apoio pelo funcionamento mínimo e com respeito de uma das maiores Unidades Básicas de Saúde. Eu reitero o seu pedido a esta Casa, que é a caixa de ressonância da população”, afirmou Marta Rodrigues.
Aladilce Souza, ao lembrar que esta terça-feira (7) também é o Dia Mundial da Saúde, afirmou que a demanda serviu para “chamar a atenção para a nossa obrigação, que é fiscalizar as políticas públicas. Não se trata apenas do grito de São Caetano, mas de todas as comunidades carentes, e de um dever de todos os governos, pois sabemos o quanto é sofrido para a população a falta de acesso à saúde”.
Hamilton Assis, que rememorou ter morado na comunidade, afirmou que a luta pela saúde e pelo transporte coletivo é histórica.
Sílvio Humberto, por fim, elencou que, infelizmente, a situação não se restringe apenas ao bairro de São Caetano, mas à maioria das comunidades em situação de vulnerabilidade. “Apesar de a saúde se tratar de um direito, ele constantemente tem sido violado pelo poder público”, concluiu.
