Após o Departamento de Estado norte-americano incluir PCC e Comando Vermelho na lista de terroristas globais, prefeito de Salvador prega trégua ideológica e cobra foco absoluto no combate ao crime organizado.
A decisão histórica do governo dos Estados Unidos de classificar as duas maiores facções criminosas do Brasil — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como organizações terroristas ecoou fortemente no debate político baiano. Instado a se posicionar sobre o tema, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), adotou uma postura firmemente pragmática. Indo na contramão dos melindres diplomáticos que cercam o assunto no plano federal, o gestor soteropolitano chancelou a canetada de Washington e defendeu que o combate ao poder paralelo deve se sobrepor a qualquer barreira partidária ou ideológica.
A ofensiva norte-americana foi oficializada pelo Departamento de Estado dos EUA, sob a condução do secretário de Estado, Marco Rubio. Inicialmente, os grupos foram inseridos na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs). O órgão confirmou que a transição definitiva para a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) passará a valer a partir do dia 5 de junho de 2026. A medida de força, adotada sob a ótica de segurança hemisférica da administração de Donald Trump, vinha enfrentando forte resistência de bastidores do Palácio do Planalto e do Itamaraty, que enxergam potenciais riscos à soberania nacional e o perigo de sanções financeiras automáticas a bancos e empresas brasileiras infiltradas pela economia formal do crime.
Para Bruno Reis, no entanto, a gravidade da crise de segurança pública enfrentada pela Bahia e pelo país exige que respostas duras sejam validadas, independentemente de sua origem geográfica ou espectro político.
“Sou a favor de qualquer medida, seja interna, seja externa, seja dessa ou daquela visão política e ideológica”, cravou o prefeito, demonstrando convicção diante dos repórteres.
O Impacto da Medida e o Recado ao Cenário Nacional
A nova rotulagem jurídica aplicada por Washington altera drasticamente o tabuleiro internacional. Na prática, a classificação como FTO torna crime federal nos EUA o fornecimento de “apoio material”, financiamento ou facilitação logística a membros das facções, além de acionar o monitoramento direto por agências de inteligência como a CIA e o envolvimento de ativos militares no Caribe e em águas internacionais sob a justificativa de combate ao “narcoterrorismo”.
No plano doméstico, o tema dividiu opiniões: enquanto governistas em Brasília manifestaram desconforto com a interferência externa, a ala ligada à oposição, capitaneada por congressistas como o senador Flávio Bolsonaro (PL) — que esteve recentemente em Washington tratando da agenda de segurança —, celebrou a medida. Bruno Reis fez questão de se esquivar da disputa de narrativas eleitorais e fez uma convocação explícita pela despolitização do enfrentamento às organizações criminosas.
“Qualquer medida que venha a inibir, que venha a enfrentar, que venha a coibir o narcotráfico no Brasil e no mundo, nós temos que ser a favor, não é, gente? Então, vamos deixar a política de lado e apoiar, independente de onde venha”, enfatizou o chefe do Executivo soteropolitano.
O prefeito concluiu reforçando que o esvaziamento das estruturas das facções — que hoje controlam territórios urbanos e operam complexos sistemas de lavagem de dinheiro — só ocorrerá quando as instituições construírem uma barreira comum. “O objetivo é todos se unirem para enfrentar o narcotráfico”, arrematou Bruno Reis, amarrando a entrega de novos investimentos municipais à necessidade de uma articulação global contra o crime.
