Durante a coletiva de apresentação do plano especial da Neoenergia Coelba para o Carnaval, realizada nesta quinta-feira (22), o cantor Russo Passapusso falou sobre a relação entre música, posicionamento político e resistência no contexto atual do país. Ao comentar o ano eleitoral, o vocalista do BaianaSystem afirmou que as manifestações feitas pelo grupo durante as apresentações não seguem uma lógica partidária, mas refletem experiências vividas e sentimentos compartilhados com o público.
“A gente tem visto uma forte movimentação nesses últimos anos. O ‘Fora Bolsonaro’ foi o que mais marcou e que tem se preparado para esse ano eleitoral. Sobre a parte política, a gente não separa muito isso. A gente grita o que a gente sofre no nosso corpo. Não é algo partidário, é uma relação muito de sobrevivência”, declarou o músico.
Russo também destacou que a neutralidade, por si só, já representa uma tomada de posição política. Segundo ele, as falas que surgem durante os shows não são previamente estruturadas, mas nascem de forma espontânea no contato direto com o público. “Não fazer política também é fazer política. Esse processo é muito intuitivo. As coisas que eu falo em cima do trio são todas intuitivas, nada é pensado anteriormente. Se a gente pensar antes, a gente enlouquece, porque estamos muito focados na parte musical”, disse.
Ao encerrar, o artista reforçou o papel histórico da música brasileira como ferramenta de resistência e expressão social, ressaltando o Carnaval como um espaço de escuta e troca coletiva. Para ele, é nesse encontro entre banda e público que as manifestações ganham força e autenticidade. “A música é um veículo que faz a gente sentir a parte política de forma natural. É um processo de resistência, que festeja o direito de lutar e luta pelo direito de festejar. A gente não sabe quais serão os gritos na rua, porque isso é muito modulado pelo que acontece nesse grande laboratório com o público. Ali, o público grita verdade”, concluiu
