O ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner (PT) comemoraram nesta terça-feira (24) a publicação de portaria do Ministério da Agricultura que suspende temporariamente a importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim. A decisão, divulgada no Diário Oficial da União, atende a uma reivindicação antiga de produtores da Bahia e do Pará, com base no risco fitossanitário relacionado à possível entrada de pragas e doenças oriundas de países vizinhos ao território marfinense.
“O presidente Lula atendeu ao apelo dos produtores de cacau da Bahia e do Brasil! A medida foi adotada em razão do risco de introdução ou dispersão de pragas e doenças que podem comprometer a produção agrícola e o meio ambiente”, celebrou Rui Costa.
Segundo o ministro, a suspensão representa o início de um processo mais amplo de reorganização do setor cacaueiro, que será apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após seu retorno de viagem internacional. A próxima etapa, de acordo com Rui, envolverá a análise do mercado interno e da atuação das indústrias processadoras. “Nós vamos submetê-lo a outras medidas legais para reestruturar essa questão do cacau, principalmente do volume de exportação e do que as processadoras de cacau estão fazendo com o mercado. É o presidente Lula cuidando dos produtores do Brasil inteiro”, afirmou o ministro.
O senador Jaques Wagner também criticou a atuação das chamadas traders, empresas intermediárias do setor, acusando-as de pressionar os preços para baixo. “Essa grita já era de um tempo para cá, quando as traders derrubaram o preço do cacau. A gente não poderia deixar sucumbir por um efeito nocivo das grandes companhias que querem comprar barato para aumentar seu lucro. Isso já dá um alívio à região do cacau na Bahia e também no Pará”, declarou Wagner, ressaltando a importância histórica e econômica da lavoura cacaueira para o país.
A suspensão das importações seguirá válida até que o governo da Costa do Marfim apresente garantias formais de que os carregamentos destinados ao Brasil não incluam amêndoas produzidas em países vizinhos com status sanitário indefinido. A articulação contou com o envolvimento do Governo da Bahia e do governador do Pará, Helder Barbalho, e é interpretada como um movimento estratégico da base governista para fortalecer sua presença nas regiões produtoras às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.
