O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), afirmou nesta sexta-feira (27) que não foi surpreendido pela movimentação do prefeito de Jequié, Zé Cocá, em direção a um grupo político fora da base petista.
Em entrevista à Rádio Sociedade, o ministro declarou que o distanciamento atual não representa uma nova ruptura, pois, segundo ele, o rompimento político já havia ocorrido nas eleições de 2022. “Para mim foi golpe de um. A surpresa foi em 22, quando ele traiu. Hoje não, eu nunca acreditei. Eu só sou traído uma vez. Ninguém me engana duas vezes”, disse.
A declaração ocorre em meio às articulações políticas na Bahia, em um momento de definição de alianças e composição de chapas, especialmente no interior do estado. Jequié é considerada uma praça relevante nesse cenário.
Na mesma entrevista, Rui Costa fez um retrospecto da relação política com Zé Cocá e afirmou que teve papel direto na projeção do atual prefeito. Segundo o ministro, o vínculo começou quando o gestor ainda comandava um município de menor porte. “Eu chamei o ex-prefeito para vir ajudar a organizar os consórcios de saúde. Nomeei ele num cargo do Estado”, afirmou.
De acordo com Rui, o então aliado passou a atuar na articulação regional de políticas públicas, incluindo a organização de consórcios junto a prefeitos. “Ele foi trabalhar e organizou, para mim, os consórcios de saúde, os consórcios de infraestrutura com os prefeitos”, disse.
O ministro também relatou ter apoiado a trajetória eleitoral de Zé Cocá desde a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia. “Ele disse: ‘Rui, eu acho que tem um vazio naquela região. Você me ajuda a disputar uma vaga de deputado estadual?’ Eu disse: ‘Eu te ajudo’”, contou.
Segundo Rui, o suporte político se repetiu posteriormente, quando o aliado decidiu disputar a Prefeitura de Jequié. “Em 2020, ele foi candidato a prefeito. Ele me procurou: ‘Rui, eu vou ser candidato a prefeito de Jequié’”, relatou.
