Candidato ao Senado pelo PT, o ex-governador Rui Costa afirmou, nesta quinta-feira (10), que pretende priorizar educação, saúde e segurança caso seja eleito para o Senado. Em entrevista à Rádio Nativa FM, o petista defendeu mudanças na legislação para tornar obrigatória a oferta de educação infantil pelos municípios e criticou a situação de Salvador em indicadores de creche e alfabetização.
Para Rui, saúde e educação devem estar entre as principais prioridades de qualquer gestor público. “As duas coisas essenciais à vida humana são saúde e educação. E quem é gestor público tem que cuidar das duas coisas. Quem é político tem que priorizar as duas coisas”, afirmou.
Ao abordar a educação infantil, o ex-governador defendeu que a oferta de creches deixe de ser apenas uma meta estabelecida em lei e passe a representar uma obrigação para os gestores municipais.
“Eu acho que tem que ser algo como nos países da Europa, que é compulsório, o gestor não tem opção”, declarou.
Críticas à gestão de Salvador
Rui Costa também direcionou críticas à administração municipal de Salvador ao comparar os investimentos em festas com os indicadores de educação infantil. Segundo ele, a capital baiana estaria entre as últimas do país na oferta de creches.
“Vejo que a prefeitura faz muita festa, todo final de semana é festa, paredão, muita gastança em festa. Gastam milhões e milhões e milhões em festa, e Salvador tem o último lugar, o penúltimo lugar no Brasil em oferta de creche, em oferta de ensino infantil”, afirmou.
O petista comparou a situação ao comportamento de um pai que prioriza o lazer em detrimento das necessidades dos filhos.
“É como um pai de família que recebe o salário, ao invés de passar no mercado, na feira para comprar comida e levar para os filhos, vai pra farra, gasta todo o dinheiro na farra e deixa os filhos com fome”, disse.
Rui também criticou o desempenho da capital baiana na alfabetização. Ele afirmou que Salvador ocupa a 319ª posição entre os 417 municípios da Bahia e destacou que outras 318 cidades apresentam resultado superior.
“Imagine, Jota, tem 318 municípios da Bahia com alfabetização melhor que Salvador. Isso é uma vergonha, ainda mais quando você considera que Salvador tem a cidade mais rica da Bahia”, declarou.
Para o candidato, o baixo desempenho na educação básica compromete toda a trajetória escolar das crianças.
“Quando você olha, por exemplo, a alfabetização, o Lula colocou uma meta que o Ministério da Educação monitora: alfabetização na idade certa. […] Toda criança deve saber ler e escrever bem até o segundo ano, o fim do segundo ano do ensino fundamental”, afirmou.
Rui defendeu que o Congresso estabeleça metas e mecanismos de financiamento capazes de obrigar os municípios a garantir a educação básica. “Essa é uma prioridade que eu quero atuar no Senado, para que tenha metas e recursos que garantam que todo prefeito tenha que obrigatoriamente garantir educação básica para suas crianças”, disse.
Rui cobra mudanças na legislação penal
Na entrevista, o petista também defendeu mudanças na legislação criminal brasileira e afirmou que as regras estão defasadas diante da realidade atual da segurança pública.
“A legislação criminal no Brasil é da década de 40. Ou seja, nós estamos em 2026 e é a mesma legislação, basicamente, da década de 40”, afirmou.
Rui criticou ainda o que classificou como sensação de impunidade, citando casos em que criminosos são presos, mas acabam soltos antes ou após o julgamento.
“Você prende criminosos, bandidos que matam pessoas, a Justiça não julga e sempre aparece alguém na Justiça para mandar soltar, dizendo: ‘Já tem muito tempo aí ele preso aguardando julgamento’”, declarou.
Segundo o ex-governador, a demora na tramitação dos processos pode permitir que acusados voltem a cometer crimes. “Você não julga e solta porque tem muito tempo o cara preso aguardando julgamento. E aí o cara sai e vai matar mais gente. Então, isso precisa acabar”, afirmou.
Rui também criticou a diferença entre as penas estabelecidas pela Justiça e o tempo efetivamente cumprido pelos condenados. “Você tem um cara [que] mata uma criança, mata uma mulher, mata famílias, mata pessoas, e aí a imprensa até às vezes divulga comemorando: ‘Ah, graças a Deus, pelo menos dessa vez foi feita justiça. Foi condenado a 30 anos’. Passam três, quatro anos, você vê o cara está solto”, disse.
O candidato defendeu, ainda, uma revisão das regras de execução penal como parte de uma política mais ampla de combate à criminalidade.