Candidato ao Senado contrapõe declaração do ex-ministro à decisão de Lula de restringir as plataformas
O candidato ao Senado pelo Time de Lula na Bahia, Rui Costa, voltou a defender a proibição das chamadas BETs e criticou a postura adotada pelo governo Jair Bolsonaro em relação às plataformas de apostas. Segundo Rui, a decisão de Lula busca conter os impactos financeiros e sociais provocados pelo crescimento das apostas.
“Decisão acertada do presidente Lula, que coloca a proteção das famílias em primeiro lugar”, disse o candidato petista na cidade de Pilão Arcado, na tarde desta segunda-feira (28), em agenda ao lado do senador Jaques Wagner, candidatos à reeleição. Pela manhã, o Time de Lula passou pela cidade de Remanso, onde realizou uma caminhada com lideranças da região.
Mais cedo, em entrevista à Rádio Sociedade, Rui mencionou um vídeo que voltou a circular nas redes sociais e que registra o então ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, em uma reunião com a presença do ex-presidente, defendendo a legalização das apostas.
“Eu assisti a um vídeo em que o ex-ministro da Economia do Bolsonaro, Paulo Guedes, numa reunião com a presença do presidente Bolsonaro, defende a legalização das bets e diz: ‘deixa o povo apostar’. Ele usa a expressão: ‘deixa o povo se lascar, cada um é livre. Se a pessoa quer apostar, que se dane’”, afirmou.
Na avaliação de Rui, o governo Bolsonaro permitiu o funcionamento das plataformas sem que houvesse uma estrutura de tributação e regulamentação capaz de enfrentar os impactos sobre a população. Ele afirmou que Lula optou por regulamentar o setor e estabeleceu mecanismos de controle, deixando aberta a possibilidade de medidas mais restritivas, inclusive a proibição total, caso as apostas provocassem prejuízos à população.
“Lula decidiu regulamentar e já deixou claro que, se não funcionasse, se prejudicasse a população, iria arbitrar pela proibição”, disse.
Influenciadores e clubes
O candidato também criticou o modelo de publicidade das bets e chamou atenção para contratos envolvendo clubes de futebol e influenciadores digitais. Rui mencionou a existência de contratos de remuneração nos quais o ganho do divulgador estaria relacionado às perdas dos usuários atraídos por sua divulgação. Para ele, esse tipo de mecanismo cria um conflito entre a remuneração de quem promove as plataformas e os prejuízos financeiros enfrentados pelos apostadores.
Ao defender o fim das BETs, Rui pediu que influenciadores, clubes de futebol e outras instituições busquem alternativas de receita que não estejam associadas às perdas das famílias.
“Eu quero me dirigir aos influencers, aos times de futebol: arrumem uma outra forma de ganhar dinheiro sem ser acabando com a vida de um pai de família, sem levar as pessoas ao suicídio, à depressão, as crianças à fome”, afirmou.
Rui disse ainda ser favorável à manutenção da proibição e associou sua posição à necessidade de proteger as famílias dos problemas financeiros e sociais que, segundo ele, estão relacionados ao vício em apostas. “Eu vou lutar para que mantenha a proibição”, finalizou.
Fotos: Maína Diniz e Ulisses Dumas