O ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado na Bahia, Rui Costa (PT), criticou nesta quinta-feira (9) a alta nos preços da gasolina e atribuiu o cenário a mudanças estruturais no setor de refino e distribuição de combustíveis no país.
Em entrevista à rádio Ipiaú FM, o petista afirmou que não há razões econômicas para o aumento. “Qual a justificativa para subir preço de gasolina no Brasil hoje? Nenhuma. Não tem justificativa. Por quê? Porque o Brasil é superavitário em gasolina. O Brasil produz toda a gasolina que consome”, disse.
Rui Costa responsabilizou decisões tomadas em gestões anteriores, citando a venda de ativos da Petrobras. “No governo passado, eles venderam a refinaria da Bahia. A refinaria que era da Petrobras, que era a primeira refinaria do Brasil. A refinaria Landulfo Alves, que fica na cidade de São Francisco do Conde. E essa refinaria eles venderam para a iniciativa privada. O grupo Árabe…”, afirmou.
O ex-ministro também mencionou a alienação da antiga BR Distribuidora, destacando impactos no mercado. “Além de ter vendido a refinaria da Bahia, eles venderam a distribuidora de combustível da Petrobras, que era BR distribuidora. Todo mundo que passa nas estradas vê BR. A marca ali continua, mas aquele posto não é mais Petrobras. Foi vendido. Quem vendeu? O governo passado”, declarou.
Na avaliação do petista, a saída de uma estatal relevante do setor reduziu a capacidade de regulação indireta de preços. “Porque nesse segmento, como em outros segmentos, é importante você ter uma empresa estatal regulando o preço, servindo de parâmetro. O Brasil não tem tabelamento de preço. Não tem uma tabela obrigatória de preço para nenhum produto, para nenhum produto. É livre o comércio”, disse.
Ele argumentou que a presença da BR Distribuidora funcionava como referência para os consumidores. “A BR Distribuidora devia ter o entorno de 30%, 30 e poucos por cento do mercado, ela não tinha a maioria do mercado, mas era o suficiente para ser o balizador de preço, referência de preço”, afirmou.
Rui Costa também criticou a atuação de empresas privadas no setor. “Então hoje o consumidor não tem referência, são três ou quatro grandes distribuidoras no Brasil, privadas, eles se reúnem num café da manhã, no jantar, com whisky ou com vinho, e praticam o preço. Isso é cartela. O povo que pague. Então assim, não tem justificativa”, declarou.
