Segundo o ex-governador, crise dos ônibus foi provocada por uma decisão fiscal errada do ex-prefeito, que encareceu as passagens e sucateou a frota.
A derrocada do sistema de transporte coletivo de Salvador foi o tema central do ataque desferido pelo ministro Rui Costa (PT) contra a herança administrativa deixada pelo ex-prefeito ACM Neto (União Brasil). Durante a coletiva de imprensa no Hotel Wyndham, nesta segunda-feira (13), o ministro revelou bastidores de conversas institucionais que teve com o antigo gestor e responsabilizou diretamente a oposição pelo colapso das linhas de ônibus soteropolitanas.
De acordo com Rui Costa, a fragilidade atual do sistema foi contratada quando o município decidiu arrecadar receitas em cima das concessionárias rodoviárias. “Quem detonou o transporte, nem precisa dizer, foi Neto quando era prefeito, que resolveu cobrar 400 milhões das empresas de ônibus. E na época eu era governador e ele prefeito, eu chamei ele e disse: ‘não faça isso. Salvador é uma cidade pobre. Se você cobrar das empresas de ônibus para botar no caixa da prefeitura, ele vai tirar isso ou na passagem de ônibus (…) ou na qualidade do serviço'”, relembrou.
O ministro assinalou que o resultado daquela política de arrecadação se reflete hoje no bolso da população. “Dito e feito. Eles arrecadaram 400 milhões e de lá para cá o serviço de ônibus só despencou na cidade. Salvador tem as passagens mais caras do Brasil (…). Isso foi o quê? Uma gestão mal feita”, completou. Rui destacou que o colapso municipal contrasta com a aprovação popular das obras de mobilidade de competência estadual, como a ampliação do metrô e a implantação do VLT.