O publicitário Robson Wagner afirmou que o próximo processo eleitoral deverá impor desafios ainda maiores ao jornalismo, sobretudo diante da circulação de informações falsas nas redes sociais. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Pinga Fogo.
Segundo ele, a propagação de fake news nem sempre decorre de articulações estruturadas entre grupos políticos, mas pode surgir de interações cotidianas. “Essa coisa da fake news, em que pese cada grupo diga que quem inventou foi o grupo A ou o grupo B, nasce, no fundo, de brincadeira de amigos que um manda para o outro*”, declarou.
Para Wagner, o problema se amplia quando conteúdos já desmentidos continuam a circular e passam a ser tratados como verdade por parte da população. Ele criticou a falta de checagem antes do compartilhamento de informações.
“Aquilo sai de um grupo pequeno e, quando você vê, já chegou no Rio Grande do Sul. Nesse percurso, passou por pessoas que tinham capacidade e responsabilidade de conferir num site sério, para ver se era verdade. Mas simplesmente repassaram”, afirmou.
Marketing político e limites de atuação
Com experiência em mais de 200 campanhas eleitorais vitoriosas na Bahia e em outros estados, o publicitário também comentou o papel do marketing político e rebateu a ideia de que marqueteiros seriam responsáveis por decisões administrativas.
“Eu costumo ouvir que um marqueteiro induziu alguém a votar. Não foi um marqueteiro. Marqueteiro não administra cidade nenhuma”, pontuou.
Ele explicou que o marketing tem como função estruturar e apresentar propostas de maneira estratégica ao eleitorado, mas que a execução dos compromissos cabe exclusivamente ao gestor eleito. “O papel do marketing é embalar projetos para vender. A execução não é responsabilidade do marketing. As vezes você apresenta o planejamento e o político faz exatamente o contrário”, ressaltou.
Wagner afirmou ainda manter uma “visão romântica” da política e da atividade que exerce, entendendo as campanhas como oportunidade de promover mudanças concretas nas cidades, ao viabilizar novas lideranças e projetos.
“Eu sei qual é o meu papel. Não tenho responsabilidade com a gestão. Mas tenho responsabilidade com o que faço. Já cansei de chegar para prefeitos e dizer: na campanha você se comprometeu com isso aqui e até agora não cumpriu”, declarou.
Ao final da entrevista, o publicitário defendeu que a sociedade também precisa assumir responsabilidades no processo democrático, tanto ao verificar informações antes de compartilhá-las quanto ao cobrar o cumprimento das promessas feitas durante o período eleitoral.
