Salvador, 03/08/2026 16:44

Jornalismo ético compromissado com a verdade

Interior da Bahia

Prefeito de Alagoinhas justifica 91 exonerações e anuncia novos cortes

Foto: Divulgação

Compartilhe:

google-news-follow

Em entrevista a uma rádio local nesta segunda-feira (3), o prefeito de Alagoinhas, Gustavo Ramos (PSD), falou sobre as ações da gestão municipal e comentou o caso que repercutiu na cidade: a exoneração de 91 ocupantes de cargos comissionados.

O prefeito afirmou que a administração precisará reforçar o caixa para garantir novos investimentos e destacou ações na área da educação, como a construção de três creches e uma escola, além de obras na saúde.

Gustavo explicou que a reorganização financeira é necessária para assegurar o funcionamento das novas estruturas e ampliar a capacidade de investimento do município.

“Eu preciso reforçar o caixa, porque essas escolas, ano que vem, essas creches vão estar funcionando. Eu tenho três equipamentos de saúde sendo construído, isso aumenta o custeio. Então, a gente precisa reorganizar a máquina administrativa, enxugando ela como um todo, não só do ponto de vista da contratação de pessoal, mas também fazendo todo o exercício da economicidade e a CAOF, a gente entregou isso à nossa equipe técnica, que é muito competente, a administração, fazenda, controle, planejamento, para que a gente tenha esse avançar e que a gente tenha a qualificação das despesas com o custeio da prefeitura”, afirmou.

Exonerações

Ao comentar a exoneração de 91 servidores comissionados, medida que ganhou repercussão no município na última sexta-feira (31), Gustavo disse que a decisão faz parte da reestruturação administrativa e do enxugamento da máquina pública. Segundo ele, novas mudanças ainda serão realizadas.

“Essas funções se deram num total de 91 nesse primeiro momento, a gente ainda vai ter mais ajustes a serem feitos, mas é importante esclarecer o seguinte, primeiro de tudo, a gente está tratando de condenciamento, a gente está tratando da estrutura e da reorganização das atividades da prefeitura, do ponto de vista orçamentário e financeiro, então essa ação da prefeitura não se resume às exonerações, tem uma série de políticas já implantadas de suspensão de execução de contrastes, diminuição dos 25% que a lei permite no valor de determinados contratos, devolução de veículos, meta audaciosa de consumo”, explicou.

O prefeito ressaltou que as medidas fazem parte de um conjunto de ações voltadas à economicidade e ao fortalecimento da capacidade de investimento do município. Ele também negou que a prefeitura enfrente problemas de caixa.

“A Prefeitura de Alagoinhas não está quebrada. O que a Prefeitura de Alagoinhas precisa, nesse momento, do ponto de vista da reestruturação que a gente está fazendo, é retornar e ter o mais rápido possível a sua condição de investimento. A gente não pode ter uma prefeitura nesse mundo moderno e dinâmico e difícil que a gente vive, num cenário onde as prefeituras estão com muita dificuldade, a gente tem uma prefeitura que se limite a arrecadar e a pagar. Todas essas obras que a gente tem em andamento hoje não são poucas, todas elas exigem contrapartida da prefeitura, mesmo sendo obra de convênios. Obras a iniciar também exigem contrapartida da prefeitura”, detalhou.

Gustavo enfatizou que o objetivo da reestruturação é garantir recursos para atender às demandas da população.

“A gente precisa ter uma prefeitura que possa ter a garantia dos investimentos, se você for parar para analisar a síntese, a necessidade de uma prefeitura, de um governo de estado e de outros entes e de outros espaços de administração, não é outro se não atender a população na ponta”, pontuou.

Sobre as exonerações, o prefeito afirmou que apenas uma pequena parcela ocorreu por questões relacionadas ao desempenho dos servidores e disse que parte dos exonerados deverá retornar em outras funções.

“Das noventa e uma demissões que ocorreram na sexta, é importante que se diga o seguinte, apenas 2% foram critérios de pessoas que estavam ocupando as funções e não mostraram aptidões para aquela função, das 91, duas, basicamente, e que são pessoas que podem ou poderiam ou poderão ser absorvidas em outras funções, para além disso, 20% dessas onerações, elas retornarão ao longo dos dias, porque são pessoas que estavam nomeadas em determinadas secretarias e exercendo por portaria a sua função em outro local”, continuou.

De acordo com Gustavo, cerca de 20% dos exonerados serão reaproveitados em outros cargos. Ele afirmou ainda que compreende o impacto da decisão para os servidores, mas defendeu a necessidade da medida.

“Além desses 2%, que seria algo de reorganização técnica da função exercida, a gente vê isso com muita tranquilidade, obviamente que isso traz uma grande discussão, porque a grande maioria que sai, e meu WhatsApp está cheio de mensagens, de agradecimento, sai com um sentimento de gratidão, obviamente que a pessoa sofre, porque deixa aquela função, aquele trabalho, não é fácil para ninguém, para mim também não é fácil porque eu não queria”, ressaltou.

O prefeito concluiu afirmando que a decisão foi tomada por necessidade administrativa e financeira, e reconheceu que ela gerou reações distintas entre os exonerados.

“Se pudesse e se a conta coubesse, eu contrataria o máximo de pessoas possíveis para trabalhar no município, mas essa não é a lógica, então obviamente que a maioria sai muito agradecendo, e a minoria, uma pequena minoria mesmo, sai muito insatisfeita e muda da noite para o dia a sua forma de enxergar a administração e a figura do prefeito e isso gera as discussões políticas de praça”, concluiu.

Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política nos portais bahia.ba e Política Ao Ponto.

Gostou? Compartilhe!

google-news-follow

LEIA TAMBÉM