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Por iniciativa de Lídice, Câmara Federal homenageia Sociedade Protetora dos Desvalidos e Irmandade do Rosário dos Homens Pretos

Lídice da Mata
Foto: Divulgação
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A pedido da deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA), a Câmara dos Deputados realizou, nesta terça-feira (12), uma importante sessão solene em homenagem aos 341 anos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e aos 194 anos da Sociedade Protetora dos Desvalidos, duas instituições fundamentais da história da resistência negra no Brasil.

Sediada no Pelourinho, em Salvador, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos é muito mais do que a mais antiga instituição afrocatólica do país. Criada formalmente em 1685 e consolidada com a construção da sua igreja pelos próprios homens negros escravizados e libertos, a irmandade tornou-se um território de fé, proteção, solidariedade, ancestralidade e luta. Foi ali que africanos e afrodescendentes transformaram a religião em instrumento de sobrevivência espiritual, política e comunitária.

Já a Sociedade Protetora dos Desvalidos, criada em 1832 por 18 homens negros livres liderados por Manoel Victor Serra, é considerada a mais antiga associação civil negra em funcionamento contínuo no Brasil. Em pleno período escravocrata, a entidade organizou redes de apoio, auxílio mútuo e proteção social para a população negra, tornando-se símbolo de resistência e organização coletiva.

A sessão contou com a participação de importantes representantes das instituições homenageadas e do movimento negro brasileiro, que integraram a mesa da cerimônia: Lígia Gomes, presidente da Sociedade Protetora dos Desvalidos; Willian Justo de Santana, prior da Venerável Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora da Irmandade dos Homens Pretos; João Jorge, presidente da Fundação Cultural Palmares; Mirian Reis, diretora do Campus dos Malês da Unilab; e Bruno de Cerqueira, representante da Irmandade do Rosário do Rio de Janeiro.

Durante a solenidade, Lídice destacou o simbolismo histórico dessas instituições e a força da contribuição negra para a formação do Brasil. A deputada lembrou que o Pelourinho, espaço que marcou a violência da escravidão, hoje se transformou em um dos maiores símbolos da cultura negra brasileira e da resistência do povo afrodescendente.

Para ela, homenagear a Irmandade do Rosário e a Sociedade Protetora dos Desvalidos é também reconhecer que os homens e mulheres negros trazidos da África chegaram ao Brasil com cultura, espiritualidade, organização social e conhecimentos próprios, apesar da tentativa histórica de negar sua humanidade. “Foram homens que vieram escravizados, mas que tinham suas religiões, suas culturas e toda capacidade de contribuir para o nosso país. E, ainda assim, mesmo diante da violência da escravidão, ajudaram a construir esta nação”, afirmou.

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