As últimas horas antes do fechamento da janela partidária estão sendo marcadas por intensas articulações nos bastidores da política baiana, e o cenário dentro do Partido Liberal (PL) tem gerado apreensão entre filiados e lideranças mais alinhadas à direita.
De acordo com informações de bastidores, o partido pode abrir espaço para novos nomes na composição das chapas proporcionais tanto para deputado estadual quanto federal que não necessariamente possuem histórico de alinhamento com a base bolsonarista. Entre os cotados, estariam figuras que, em momentos recentes, mantiveram proximidade com o governador Jerônimo Rodrigues ou que evitaram declarar apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A possível entrada desses nomes tem sido vista com desconfiança por parte da militância e de pré candidatos que defendem uma linha ideológica mais firme dentro do partido. A avaliação é de que o PL, que se consolidou como principal legenda da direita no Brasil, pode correr o risco de diluir sua identidade na Bahia caso confirme essa movimentação.
Nos bastidores, a justificativa para as articulações passa pela necessidade de fortalecimento das chapas, ampliando o número de candidatos competitivos para garantir maior representatividade na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. No entanto, críticos internos apontam que a estratégia pode custar caro no campo político e simbólico.
A pressão deve recair diretamente sobre o presidente estadual do partido, João Roma. Responsável por conduzir as negociações, ele já enfrenta cobranças de correligionários que exigem coerência ideológica na formação das chapas. Caso nomes ligados ao governo estadual ou distantes do bolsonarismo sejam confirmados, a tendência é de aumento na tensão interna.
“Não faz sentido construir um projeto com o discurso de direita e, na prática, abrir espaço para quem esteve do outro lado”, relatou, sob reserva, um pré candidato da legenda.
O temor entre integrantes do partido é que a insatisfação possa gerar debandadas ou enfraquecer candidaturas já postas, especialmente entre aqueles que apostaram no PL como um espaço de defesa clara dos valores conservadores.
Com o prazo da janela partidária se encerrando, o clima é de expectativa e cautela. As próximas horas serão decisivas para definir se o PL na Bahia manterá uma linha mais ideológica ou se seguirá um caminho mais pragmático, abrindo espaço para alianças que podem redesenhar o perfil do partido no estado.
