Governador comentou ação do vereador Cláudio Tinoco contra regramento escolar, defendeu acolhimento a alunos vulneráveis e revelou destino de amigos de infância.
Ao responder aos questionamentos do programa Se Liga Bocão, da BNewsTV, sobre a representação movida pelo vereador Cláudio Tinoco (União Brasil) no Ministério Público contra a Portaria 190/2024 do Estado, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) defendeu o caráter inclusivo da rede de ensino pública e trouxe um forte apelo social para o debate pedagógico.
Jerônimo afirmou respeitar a fiscalização promovida pelo parlamentar municipal e declarou que aguarda a apreciação do órgão controlador. “Sou professor, quero o melhor para os meninos e meninas. Se tiver alguma coisa equivocada, que o Ministério Público aponte os ajustes”, pontuou.
No entanto, o governador questionou a rigidez de critérios de reprovação sem levar em consideração as desigualdades socioeconômicas vividas pelos estudantes nas periferias e no interior.
“Uma criança ou jovem que não tem o que comer chega à escola às 7h30 sem se alimentar direito. Quando dá 10 horas da manhã, irmão, ele não ouve mais nada com a fome. A mente só pensa em comida. Aí esse menino é reprovado no final e vai pagar a conta pela pobreza dele? A escola tem que ser acolhedora”, argumentou.
Jerônimo emocionou a bancada ao citar o destino de três companheiros da sua infância no povoado de Palmeirinhas para exemplificar a falta de oportunidades históricas. “Encontrei dois amigos meus no Licor do Jegue: um ficou na roça como trabalhador rural, o outro veio para Camaçari e o terceiro morreu no crime no Rio de Janeiro. Se tivéssemos uma escola adequada lá atrás, o Estado teria promovido a vida deles”, desabafou.