Candidato defendeu sobriedade institucional em Brasília e argumentou que disputas jurídicas e atos de 7 de Setembro não podem ofuscar as dores urgentes do “Brasil real”.
O acirramento de tensões entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), impulsionado por mobilizações de 7 de Setembro e discussões sobre impedimento de magistrados, não pode sequestrar as demandas materiais da população. O alerta foi feito pelo candidato a governador ACM Neto (União Brasil) nesta quarta-feira (9), durante sabatina na Rádio Metropole, em Salvador, ao defender que os poderes federais encontrem rapidamente saídas de equilíbrio institucional.
Ao comunicador Mário Kertész, Neto ponderou que a centralização excessiva das atenções em contendas judiciais enfraquece o debate sobre as soluções que o país precisa adotar a partir de 2027. “Espero que não escale, Mário, até porque isso também significaria a gente encobrir o que é essencial para o Brasil e para o debate eleitoral, que é a discussão sobre os problemas do país, avaliar o que cada candidato pode ou não fazer a partir do próximo ano pelo Brasil”, pontuou.
O ex-prefeito e ex-deputado federal enfatizou o princípio republicano da igualdade perante as normas legais, sustentando a necessidade de fiscalização ativa pela cidadania. “Eu espero que essa crise do Supremo não escale mais ainda de maneira que venha a ter consequências no processo eleitoral ou que deixe a discussão eleitoral secundarizada. Isso seria muito grave e muito ruim para a democracia. Eu espero que a turma em Brasília tenha juízo, saiba encontrar os caminhos de uma saída que respeite e preserve a institucionalidade. Eu acho que ninguém está imune à lei. Não interessa se é um ministro do Supremo, se é um governador, se é um deputado, se é um presidente: todos devem respeito à lei. E aí a gente precisa fiscalizar e cobrar”, sustentou.
Neto contrapôs a pauta das cúpulas dos poderes ao cotidiano enfrentado pelas famílias baianas. “Fui deputado 10 anos, sou dirigente partidário e acompanho isso. Às vezes as coisas acontecem em Brasília de tal forma desconexa, tão distante da realidade das pessoas, que é outro Brasil. Aqui na vida real a gente está vivendo e é obrigado naturalmente a discutir a violência, a fila da regulação, a baixa qualidade de ensino, o desemprego, a perda de poder aquisitivo do brasileiro, que mais uma vez vê seu salário encurtar e sua condição de compra reduzir. É isso que importa e a gente não pode perder o foco e o centro em relação ao que é essencial para esse debate”, arrematou.