Salvador, 09/06/2026 11:28

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“Não estão olhando para o lado do trabalhador”, diz Ricardo Alban ao criticar proposta de fim da escala 6×1

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O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, criticou a proposta de redução da jornada de trabalho associada ao fim da escala 6×1 e afirmou que a medida, caso aprovada sem um debate mais amplo sobre produtividade, poderá provocar efeitos negativos para a economia e para os próprios trabalhadores.

Ao abordar o tema, Alban argumentou que a discussão tem sido conduzida de forma precipitada e sem considerar os impactos sobre os custos das empresas e os preços ao consumidor. Segundo ele, apenas uma parcela dos trabalhadores brasileiros seria diretamente beneficiada pela mudança.

“Eu só acho que não está olhando para o lado do trabalhador. Dizem que contra fatos não existem argumentos. Nós temos 40 milhões de trabalhadores de carteira assinada para uma população de 200 e poucos milhões. Desses 40 milhões de carteira assinada, apenas 30% trabalham a 44 horas. E aí vamos supor que esses 30% trabalham com 12 milhões de brasileiros, que representam cerca de 5% da população brasileira, vão ser beneficiados”, afirmou.

O dirigente da indústria também questionou a forma como a proposta vem sendo discutida no ambiente político e disse enxergar motivações eleitorais no avanço do debate.

“Em aspas, porque do jeito que está, dessa forma açodada, da forma irracível que está sendo feito, com motivações únicas, exclusivamente para a polícia eleitoreira, o tiro vai ser dado no próprio pé”, declarou.

Na avaliação de Alban, a eventual aprovação da medida sem compensações de produtividade poderá gerar aumento de custos para empresas de diversos setores, com reflexos sobre a inflação.

“Ou seja, nós vamos ter essa aprovação, espero que não. Se tiver essa aprovação, ato contínuo. Logo depois das eleições nós vamos ver o efeito dos preços na prateleira. Como é que a economia inteira consegue melhorar a produtividade que nós não conseguimos a longo de décadas?”, questionou.

O presidente da CNI afirmou ainda que ganhos de eficiência por meio de automação e inovação não ocorreriam em velocidade suficiente para absorver os impactos da mudança.

“A economia inteira vai conseguir fazer automação, vai conseguir fazer um aumento de produtividade. Isso não existe, vai ter que ser repassado pelo preço, fora algumas que vão ficar no meio do caminho”, disse.

Por fim, Alban defendeu que o tema seja tratado de forma técnica e negociada, sem decisões precipitadas. Para ele, uma eventual mudança na jornada de trabalho deve ser resultado de um processo de construção entre trabalhadores, empresários e poder público.

“Então nesse processo que está aí, os demais, 200 milhões de habitantes vão pagar o custo da inflação. Isso é matemática, isso não é opinião. Nós temos que fazer uma discussão séria, meritória, mas que seja realmente uma conquista”, concluiu.

andre
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música.

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