Eleita deputada federal com mais de 51 mil votos na capital baiana, Maria questiona a homenagem e manifesta apoio à contestação judicial e à mobilização popular
A deputada federal eleita Maria Marighella (PT), que recebeu 51.233 votos em Salvador nas eleições de 2026, sendo a mais votada do partido na capital baiana para a Câmara dos Deputados, se posicionou contra a concessão do título de Cidadão Soteropolitano ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Para Maria, a homenagem não se justifica pela ausência de serviços relevantes prestados à capital baiana e contraria a trajetória histórica de lutas sociais e culturais da cidade.
“Pra ser de Salvador tem que merecer. Salvador é terra da liberdade, da diversidade, da emancipação social e do combate à violência e à discriminação”, afirmou Maria, ao defender que o reconhecimento concedido pela Câmara Municipal esteja associado a contribuições efetivas para a cidade.
A homenagem, aprovada pela Câmara Municipal de Salvador em maio deste ano, passou a ser questionada judicialmente. Uma ação popular protocolada pelo ativista Victor Queirós, com atuação dos advogados Mário Scaldaferri e Rosemary Silveira, pede a suspensão da entrega do título por meio de liminar. Paralelamente, uma petição pública criada por Magali Domingues na plataforma Change.org reúne milhares de assinaturas contrárias à honraria.
Maria manifestou apoio às duas iniciativas e afirmou que a concessão do título também deve ser analisada à luz da identidade de Salvador, cidade de população majoritariamente negra e marcada por movimentos históricos de enfrentamento ao racismo, à desigualdade e à discriminação.
Em sua manifestação, a deputada eleita também questiona a finalidade política da homenagem, avaliando que a concessão do título tem apenas uma finalidade eleitoral, já que o candidato bolsonarista teve apenas 27,03% dos votos na cidade no 1° turno e agora passa a ser apoiado por ACM Neto, candidato derrotado ao Governo do Estado.
“Flávio Bolsonaro não possui serviços relevantes prestados à cidade que justifiquem a homenagem. A concessão desse título representa, na nossa avaliação, uma tentativa de conquistar espaço político na Bahia”, conclui.
Confira a manifestação de Maria Marighella:
“Pra ser de Salvador tem que merecer”!
Salvador, cidade onde nasceram pessoas que constituíram uma cultura tão plural, não merece receber como Cidadão Soteropolitano Flávio Bolsonaro.
Salvador é terra da liberdade, da diversidade, das mulheres que reivindicam dias melhores paras suas crianças; da igualdade de gênero, da autonomia feminina, da emancipação social e do combate à violência e à discriminação.
Onde sua população, de maioria negra e parda, reivindica o fim da violência e do genocídio. De pessoas que lutam pela igualdade de direitos, o fim do racismo estrutural e institucional; por justiça social.
Possuímos uma pauta histórica de lutas que não combina com quem ameaça destruir as nossas liberdades, as nossas lutas por igualdades, acabar com o nosso pix! Com quem é contra e desrespeita a nossa cultura.
Trata-se de um cidadão que não possui serviços relevantes prestados à cidade e cuja homenagem busca ganhar espaço político na Bahia.
No 1º turno das Eleições presidenciais de 2026, seu projeto foi rechaçado na cidade, obtendo uma votação inexpressiva!
Todo nosso apoio à ação popular contra esse título e a todas as milhares de pessoas que assinaram a petição pública que se coloca contra essa medida.
Reafirmamos: aqui é Bahia, e, na Bahia, bolsonarista não se cria!”.
Foto: Matheus Alves