Em visita à Fenagro, na noite de quinta-feira (4), o ex-deputado estadual Marcelo Nilo elevou o tom contra o PT e o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Em entrevista, Nilo afirmou que o partido “gosta de cortar cabeças” e citou episódios que, segundo ele, mostram a forma como o PT conduz alianças na Bahia.
“O PT gosta de cortar a cabeça. Na véspera, cortaram a cabeça de Lídice, que foi uma grande senadora. Cortaram a cabeça de Leão, depois de ter acertado na presença de Lula. Leão tampão, Otto governador, Rui Costa senador, cortaram na véspera através de um rádio do Metrópole, quando o Wagner deu a entrevista e Leão soube pelo rádio. Tentaram cortar a minha. Não cortaram porque eu tive de sair pela porta da frente”, afirmou Nilo.
O ex-deputado também recuperou um episódio envolvendo sua própria trajetória na Assembleia Legislativa, dizendo que o PT não apoiou sua recondução à presidência mesmo após cinco mandatos consecutivos. “Eu fui presidente da Assembleia cinco vezes. O PT só me apoiou uma. Você sabe, você é um jornalista presente na Assembleia, que nós tínhamos 14 partidos, 13 me apoiaram e o PT saiu em fila indiana, liderada por Rosemberg Pinto, para não me apoiar. Portanto, o PT é um partido de decadência. O povo não aguenta mais o PT”, disse.
ACM Neto favorito?
Nilo ainda avaliou o cenário eleitoral e afirmou que ACM Neto (União Brasil) é “favorito” para vencer a próxima disputa ao governo. Segundo ele, a conjuntura atual é diferente da eleição de 2022, quando Jerônimo era desconhecido. “Eles foram competentes em tirar Jerônimo da televisão e colocar ‘13, candidato de Lula’. Agora não. Você vai votar em Jerônimo Rodrigues, vai votar em Jerônimo Rodrigues”, ironizou.
O ex-parlamentar citou indicadores negativos da gestão estadual para reforçar sua crítica. “A regulação diminuiu? Não, aumentou 212%. O analfabetismo diminuiu? Não, aumentou 17%. O desemprego… nós éramos o segundo e passamos. Segurança pública? Nós estamos líderes há muito tempo nas mortes violentas. Só para vocês terem ideia: foram 6.023 mortes em 2023 na Bahia. Segundo estado é São Paulo, com 3.000. Terceiro, Rio de Janeiro, com 2.000 e poucas. Então, Jerônimo Rodrigues é o pior governador da história da Bahia.”
Crise na saúde
Nilo também voltou a acusar o governador de agir com insensibilidade diante da crise na saúde pública. Segundo ele, Jerônimo teria reagido de forma inadequada a relatos de superlotação no Hospital Clériston Andrade, em Feira de Santana.
“Eu diria que cada dia é uma surpresa: educação, saúde, geração de empregos e, principalmente, a violência, cada vez pior. A fila da regulação está aumentando 212%. A secretária Roberta disse que existem muitas pessoas nos corredores do Clériston, deitadas no chão, sofrendo e morrendo. O governador do Estado disse: ‘deixe eles lá e manda o Ministério pouco me ligar’. Primeiro, quem decide onde fica o paciente é o médico. Segundo, o governador Jerônimo Rodrigues não tem coração”, afirmou.
O ex-deputado continuou: “Você despedir para os pacientes serem deixados no chão… quem vai para o Clériston está em emergência. Porque não tem Deus no coração. Imaginemos nós o que os familiares desses pacientes pensam, vendo seus entes queridos morrendo nas macas. Eu diria o seguinte: eles apenas sabem que Jerônimo Rodrigues não tem Deus no coração.”
As declarações de Marcelo Nilo ocorrem após uma série de movimentações do ex-deputado na cena política baiana, indicando seu alinhamento com o grupo de ACM Neto e reforçando críticas à atual gestão estadual. O Palácio de Ondina não se manifestou sobre as acusações.
