Em entrevista ao programa ‘Vem Que Tem’, da Rádio Sociedade, primeira mulher a presidir a entidade de 215 anos destaca reorganização interna e representatividade feminina.
Em entrevista concedida na terça-feira (29) ao programa Vem Que Tem, da Rádio Sociedade da Bahia, a advogada e empresária Isabela Suarez afirmou que a principal conquista de sua gestão à frente da Associação Comercial da Bahia (ACB) não se resume a uma entrega pontual ou isolada. Primeira mulher a presidir a entidade em mais de dois séculos de história, Suarez destacou que a maior marca do trabalho recente tem sido a retomada do protagonismo e da capacidade de articulação da classe produtiva.
“Não elencaria isso nem reuniria apenas numa entrega“, declarou a dirigente durante o programa. “O momento é de arrumar a casa e de retomada de serviços essenciais para o bom funcionamento da atividade empresarial. A principal entrega deste ano passa pela retomada do protagonismo da Associação Comercial, de voltar a dar voz ao empresariado que se acanhou e, por algum momento, começou a confundir a importância da sua existência.”
Fundada em 1811, a ACB é reconhecida como a instituição empresarial mais antiga das Américas e da Península Ibérica. Suarez relembrou que, ao longo de seus 215 anos, a entidade atravessou diferentes ciclos históricos, alternando períodos de pujança, esquecimento e enfraquecimento.
A atual fase de reestruturação teve início em 2019, na gestão de Mário Dantas, seguiu com Paulo Cavalcanti e consolida-se agora sob a liderança de Suarez.
Representatividade feminina
Um dos pontos enfatizados por Isabela Suarez foi o significado simbólico e prático de sua presença no comando da instituição. Ela chamou a atenção para a pouca representatividade feminina nos altos cargos do associativismo patronal no país, lembrando a ausência de mulheres no comando das federações de indústrias estaduais.
“Pense você o que é para uma mulher ocupar o cargo e uma posição numa das instituições empresariais mais antigas do mundo. Hoje não temos nenhuma mulher em nenhuma federação das indústrias no país. Isso é uma conquista muito grande, não só para a sociedade, mas também para a classe feminina“, afirmou.
A presidente ressaltou ainda o caráter transversal da ACB, que engloba diversos setores da economia para além do comércio tradicional, exercendo papel relevante no desenvolvimento econômico e social da Bahia e do Brasil.
Defesa de pautas e diálogo de confronto
Segundo a dirigente, a orientação da entidade tem sido a de se posicionar de forma firme no debate público, inclusive em momentos de divergência com o setor público ou outros atores sociais.
“A gente começa a chamar a atenção para temas que são importantes, em que muitas vezes a gente tem que tocar na ferida, tem que desagradar a quem está ouvindo, mas que alguém precisa fazer a defesa daquilo que se propõe“, pontuou.
Para Suarez, com o trabalho de reorganização e a presença ostensiva na agenda pública, a ACB voltou a ocupar um papel ativo e indispensável nas discussões sobre o ambiente de negócios e o futuro do estado.