Município da Região Metropolitana de Salvador registrou Índice de Progresso Social (IPS) de 63,76, acima da média brasileira; especialistas destacam arborização, praias e proximidade com a capital, mas alertam para desigualdades entre bairros litorâneos e áreas de pobreza extrema.
O município de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, figura entre as cidades com melhor qualidade de vida da Bahia, segundo o Índice de Progresso Social (IPS). De acordo com o levantamento, a cidade registrou uma pontuação média de 63,76, superando a média nacional, que ficou em 63,40. Os índices de oportunidades e de bem-estar também ultrapassaram os patamares nacionais, colocando o município no topo do ranking estadual.
O IPS mede a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros a partir de três dimensões: Necessidades Humanas Básicas (acesso a comida, saúde, moradia e segurança), Fundamentos do Bem-Estar (educação fundamental, vida saudável e contato com a natureza) e Oportunidades (direitos individuais e acesso ao ensino superior). O estudo é produzido pelo Instituto IPS, em parceria com Social Progress Imperative, Imazon, Amazônia 2030, Fundación Avina e Centro de Empreendedorismo da Amazônia.
Qualidade de vida e migração
O sociólogo Ailton Ferreira, especializado em comunicação e cidadania, destaca que um dos principais atrativos de Lauro de Freitas é a possibilidade de conciliar trabalho e bem-estar. “É uma cidade arborizada, com condomínios organizados, praias bonitas e boas opções de escolas privadas. Salvador ainda é o polo de serviço público e atividades bancárias, então é possível morar em Lauro de Freitas e trabalhar na capital”, analisa.
Essa percepção se reflete nos dados demográficos: segundo o Censo de 2022, a população de Salvador caiu cerca de 9,6% nos últimos dez anos, enquanto Lauro de Freitas registrou um crescimento de 24% no mesmo período. Especialistas acreditam que há um fluxo constante de pessoas trocando a capital pela cidade da região metropolitana em busca de mais qualidade de vida.
Duas realidades no mesmo município
Apesar da boa colocação no ranking, o sociólogo e professor de Direito da Universidade Católica de Salvador, Rosival Carvalho, faz um alerta sobre as desigualdades internas. “A Lauro de Freitas litorânea, de Vilas do Atlântico, é o local dos sonhos. Mas Itinga, Areia Branca e Portão são bairros onde há pessoas em pobreza extrema”, afirma.
O município é formado por 19 bairros. Três deles – Vilas do Atlântico, Buraquinho e Ipitanga – são bastante conhecidos pelas belas praias e atraem moradores da capital em busca de lazer nos fins de semana. Já localidades como Itinga, Portão, Areia Branca e Quingoma são distantes do litoral, pouco arborizadas e não costumam receber turistas, concentrando as maiores carências sociais.
Para o professor, Lauro de Freitas enfrenta desafios semelhantes aos de Salvador e de outras cidades da região metropolitana, como Camaçari e Simões Filho, que também convivem com contrastes acentuados entre áreas nobres e regiões de vulnerabilidade. O bom índice geral, portanto, não apaga as desigualdades internas que ainda precisam ser enfrentadas pela gestão municipal.
