O economista Kobori fez duras críticas à influência dos Estados Unidos sobre o Brasil e afirmou que o país corre o risco de perder autonomia diante da pressão externa. Durante evento nesta sexta-feira (11), em Salvador, ele também acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de atuar em favor dos interesses norte-americanos.
“Ele nunca deixará o Brasil ter uma política externa de liberdade. Ele nunca vai deixar o Brasil ser independente, soberano e ter o tão sonhado desenvolvimento econômico para a gente”, afirmou.
Para Kobori, a influência dos Estados Unidos ultrapassa a política externa e alcança as decisões econômicas e institucionais brasileiras. “Ele vai nos enquadrar para a gente continuar sendo uma colônia dos Estados Unidos. Nós já somos. Nós nunca deixamos de ser colônia para ninguém”, declarou.
Ao abordar a atuação de Mendonça, o economista afirmou que o ministro estaria “a serviço dos Estados Unidos” e associou a atuação do magistrado a uma estratégia de pressão sobre a soberania brasileira.
“Ele não vai deixar o Brasil ser independente, soberano e ter o tão sonhado desenvolvimento econômico”, reforçou.
Kobori também alertou para uma possível interferência norte-americana no cenário político brasileiro. “Ele vai apoiar um golpe de Estado no Brasil se isso acontecer”, disse, ao comentar o que considera uma tentativa dos Estados Unidos de influenciar os rumos políticos do país.
Dependência econômica
Na análise econômica, Kobori comparou as trajetórias históricas de Brasil e Estados Unidos e afirmou que os dois países chegaram a apresentar estruturas econômicas semelhantes no século XIX, mas seguiram caminhos distintos.
“Os Estados Unidos e o Brasil eram economias similares. Nos furtaram por isso”, afirmou.
Segundo o economista, enquanto os Estados Unidos avançaram na industrialização, o Brasil permaneceu concentrado em um modelo baseado na exportação de produtos primários e na concentração de riqueza.
“Estamos vivendo nessa proposta e o projeto continua sendo um país subdesenvolvido”, disse.
Kobori também criticou o modelo de desenvolvimento brasileiro e a concentração de riqueza. “Se eu estou ficando rico mandando suave, se eu estou ficando rico mandando viver em terra, concentra essa riqueza”, afirmou.
Ao falar sobre o agronegócio, o economista questionou a ideia de que o setor seja responsável por determinar sozinho os preços no mercado.
“Quando você olha a estrutura concentrada do agronegócio, a maior parte desse problema está com o que o conteúdo de valor é pegar”, afirmou, ao citar a dependência de sementes, implementos, máquinas e fertilizantes.
Para Kobori, a estrutura produtiva mantém parte relevante da riqueza concentrada e reforça a dependência externa. “Você pegar tudo que a gente manda e pôr para fora, tudo isso aqui, e incorporar no Brasil, quando é mais, quando é pouco, a maioria de todos fica concentrado no pessoal, no negócio”, declarou.