Salvador, 02/10/2026 18:59

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Jornalista denuncia abordagem com segurança armado no Sinpojud

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A jornalista e presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), Fernanda Gama, tornou pública nesta sexta-feira (2) uma situação que afirma estar vivenciando no ambiente de trabalho do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado da Bahia (Sinpojud), onde atua há mais de 14 anos.

Em vídeo publicado no Instagram, ela relatou ter se sentido insegura e coagida após ser abordada por funcionários da entidade acompanhados de um segurança armado.

Segundo Fernanda, o episódio teve início na quarta-feira (30), quando recebeu, às 12h23, uma comunicação do setor de Recursos Humanos informando que deveria iniciar as férias no dia seguinte. A jornalista afirma que questionou o procedimento por considerar que o aviso não respeitava a antecedência mínima prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Após consultar o departamento jurídico do Sinjorba, Fernanda decidiu continuar trabalhando. Ela afirma que, posteriormente, foi abordada duas vezes dentro da própria sala pelo responsável pelo RH do Sinpojud para receber uma advertência. Nas duas ocasiões, segundo o relato, o funcionário estava acompanhado de um segurança armado.

Na segunda abordagem, Fernanda afirma que estava sozinha na sala quando o funcionário entrou acompanhado de outras três pessoas, sendo dois homens e uma mulher. Um dos homens, segundo ela, era o segurança.

“Como mulher e sendo eu a pessoa diretamente abordada, me senti insegura, coagida e com medo”, afirmou a jornalista no vídeo.

Jornalista questiona conduta do sindicato

Fernanda afirmou que não considera ter cometido qualquer irregularidade e disse que apenas reivindica o cumprimento da legislação trabalhista e o tratamento respeitoso no ambiente profissional.

“Eu não sou criminosa. Sou trabalhadora. E tudo o que estou pedindo é que a legislação seja cumprida e que eu seja tratada com respeito e dignidade”, declarou.

De acordo com a jornalista, o diretor de Administração do Sinpojud já havia determinado que o prazo legal para a concessão das férias fosse respeitado e que os efeitos da advertência fossem suspensos. Apesar disso, ela afirma que uma nova abordagem ocorreu posteriormente.

Fernanda também disse não ter conhecimento, até o momento, de medidas adotadas pela Diretoria Executiva do Sinpojud para impedir a continuidade dos episódios.

“Faço um apelo aos dirigentes do Sinpojud: se algo semelhante estivesse acontecendo com um servidor do Judiciário, vocês permaneceriam em silêncio?”, questionou.

Caso foi levado ao MPT

A situação relatada por Fernanda ocorre em meio a uma disputa que já foi levada pelo Sinjorba e pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

As entidades afirmam que vêm acompanhando episódios envolvendo a jornalista e avaliam que a sequência de acontecimentos pode configurar práticas antissindicais e assédio no ambiente de trabalho. O Sinjorba também informou que pretende acrescentar à denúncia os episódios registrados nos últimos dias.

Ao finalizar o vídeo, Fernanda afirmou que decidiu se manifestar publicamente diante do que considera uma situação que passou a afetar inclusive sua segurança.

“Não foi fácil gravar este relato. Mas entendi que não deveria mais permanecer em silêncio”, afirmou.

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