O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu nesta segunda-feira (3) que o combate ao crime organizado no Brasil deve ser conduzido de forma integrada entre os governos estaduais e o governo federal. Durante entrevista, ele comentou a lei antifacção enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional e cobrou que o Legislativo avance na tramitação da PEC da Segurança Pública, que prevê a criação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
“A minha expectativa é que nós, enquanto governadores, possamos aguardar que a União faça o seu papel. Temos que cobrar por dentro do governo e nos colocar à disposição. O presidente Lula, ainda com o ministro Flávio Dino, pediu que nós contribuíssemos para montar uma política nacional de segurança pública. Um dos frutos disso foi a PEC do SUSP, para fortalecer o sistema único de segurança pública”, afirmou Jerônimo.
O governador destacou que o momento exige cooperação e responsabilidade, afastando disputas políticas diante do aumento da violência em alguns estados, especialmente no Rio de Janeiro.
“Não dá para imaginar que é hora de usar uma situação dessas para fazer política partidária. A hora é de unir forças, colocar as diferenças na mesa e enfrentar juntos o enraizamento do crime organizado, que está espalhado por todo o país. Não podemos partidizar o tema da segurança pública”, disse.
Jerônimo também alertou para o uso indiscriminado do termo “terrorismo” em debates recentes, argumentando que a confusão de conceitos pode trazer riscos à soberania nacional.
“Quando colocamos o tema de terrorismo em um ambiente que é de facção e crime organizado, misturamos as coisas. E abrimos a possibilidade de alguns países quererem interferir na nossa soberania. Precisamos subir o nível do debate e enfrentar o problema onde ele está: no setor financeiro que alimenta as facções”, afirmou.
Ao encerrar sua fala, o governador comparou o enfrentamento à criminalidade com a mobilização nacional que marcou o combate à fome.
“Quando enfrentamos o tema do combate à fome, o Brasil ganhou com isso. Agora, precisamos sair do mapa do crime organizado, e só faremos isso quando dermos as mãos”, completou.
Jerônimo Rodrigues concedeu as declarações durante a abertura oficial do Mês Nacional do Júri 2025, realizada no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), em Salvador. O evento contou com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
